TRINTA
DE SETEMBRO, DATA QUE ENALTECE OS MOSSOROENSES(*)
Ir Wilson Bezerra de Moura (**)
Em cada dia 30 de setembro, Mossoró vive um fato
notável de sua história, o movimento abolicionista que tratou primordialmente
de abolir os escravos em sua região. A luta foi intensa, o ideal foi atingido e
os objetivos frutificaram na sociedade sob a batuta de figuras destemidas a
exemplo de Romualdo Lopes Galvão, Joaquim Bezerra da Costa Mendes, Almino
Álvares Afonso o redator da ATA que discorreu sobre os acontecimentos
abolicionistas e outros mais idealistas.
O Clube dos Espartacus programou o sentimento
abolicionista e a Sociedade Libertadora Mossoroense investida dos mesmos
objetivos consolidou o pensamento dos idealizadores, de sorte que a idéia trazida
lá da pequena cidade de Acarape, do Ceará, por Romualdo Lopes Galvão e sua
esposa Amélia, logo teve a aceitação dos Mossoroenses e ganhou corpo o
propósito de extinguir de uma vez por todas a escravidão no município de
Mossoró, que ocupou espaço e adesão dos obreiros da Loja Maçônica 24 de Junho.
O sentimento libertário no mundo inteiro era defendido por idealistas, a
Revolução Francesa expressou o sentimento nativista entre os povos, e os ideais
foram atingindo as nações com vista a se libertar do jugo repressor de
governantes arbitrários. Assim o sentimento libertário expandiu os ideais,
discriminação social, política e econômica não foram fatores essenciais ou
prioritários, mais a discriminação racial conquistou o interesse de outras
nações ao ponto da Inglaterra impor condições no intercâmbio comercial só com
nações que fossem consideradas livres da corrente escravista.
A questão abolicionista teve início por outros lugares
e nações até atingir pequenos centros na busca de tornar extinta a escravidão
que tanto denegria a imagem e sentimento de prosperidade de muitos povos por
esse mundo afora. A Princesa Izabel recebeu ultimato do próprio povo para
aderir à campanha abolicionista imposta e decretada pela Inglaterra e não tinha
outra alternativa a não ser conquistar a simpatia popular por essa justa causa. Não foi impossível a
aceitação do povo por importante idéia. Basta ver tanto sofrimento esboçado em
um ser humano diferente apenas na cor, embora identificado nos sentimentos e
afeições para entender que desumanidade não deveria continuar denegrindo a
igualdade de condições de vida entre as criaturas. Cedo ou tarde teria que
terminar essa novela humilhante, não podia perdurar por mais tempo essa mancha
negra que atormentava e comprometia a esperança um direito de igualdade
essencial à vida em comum.
As Revoluções que aconteceram em muitos estados
brasileiros foram sendo vistas como alternativa de mudança do sistema político
tormentoso. Teria que haver reforma com vistas a direcionar a sociedade no sentido
de conviver em direito de igualdade entre as criaturas, como determinavam os
ensinamentos morais. Somos todos iguais perante o único e verdadeiro Criador e
como tal temos que fazer cumprir os ensinamentos determinados.
Ao comemorarmos mais uma data da abolição dos escravos
em Mossoró, o fazemos de modo a reconhecer e enaltecer os movimentos que nos
antecederam bem como as pessoas que deles fizeram parte e despertaram um
sentimento que a geração presente tem como compromisso relembrá-lo, até porque
o sentido de toda movimentação comemorativa retrata a destemida decisão dos
libertadores Mossoroenses. A História é irreversível e não pode ser adulterada, portanto relatamos
seus fatos como forma de não só mostrar o heroísmo dos antepassados como
mostrar que a luta quando fortificada por um ideal torna-se invencível e atinge
o objetivo pretendido. É sempre pelo ideal que as boas ações são conquistadas e
deixam suas marcas na sociedade para que sirvam de modelo quando boas e de
exemplo quando negativas.
Os festejos sobre a abolição dos escravos Mossoroenses
são marcantes na vida de seu povo e através dos tempos serão lembrados com
regozijo em legitimo enaltecimento pelo brilhante desempenho de seus
patrocinadores. Nas ruas e logradouros públicos tremula a bandeira da
libertação da libertação simbolizada pelas cores da batalha que aconteceu em 30
de setembro de 1883 e até hoje é lembrado com orgulho e aplausos aos seus
batalhadores. A satisfação é intensa no semblante de cada Mossoroense em
reviver uma história que engrandece sua gente.
(**)
Wilson Bezerra de Moura é
Ex-Grão-Mestre Adjunto do GOIERN; Diretor da ABIM; Editor do jornal Vozes do
Templo; e Imortal acadêmico da AMCLA.
(*)Originais
publicados no jornal mossoroense Vozes do Templo, edição 176 – Julho/Setembro~2014.
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