quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

INFORMABIM 280 A e B

ADEUS AO GIZ E À SALIVA Irm Antônio do Carmo Ferreira



Chega-me ao conhecimento a notícia de que se encontra em queda a procura pelos cursos de formação para o magistério. O descenso teria sido de 50%, tomando-se como referência as matrículas do último ano que antecede o quatriênio que terminou em 2010.

Por que tal vem acontecendo, a ponto da geração de tamanho desestímulo? Nem precisa analisar, para se dizer que esta constatação representa uma ocorrência de profunda gravidade. Porque não bastam as leis que oferecem as diretrizes, nem a escola paramentada com as condições físicas e provida dos instrumentos que a tecnologia proporciona, nem até a presença farta do alunado. Porquanto o mestre seja o início. Digamos assim: não existe uma partenogênese do saber, em que a lei, o prédio e o aluno, por si só, geram o saber. O saber é possuído e transmitido pelo mestre.

Então é grave a situação do desestímulo em busca do magistério, sobretudo agora, tempo em que a Nação elabora um plano decenal com vistas à melhoria da qualidade de sua educação e que prevê, dentre as suas metas, a de tornar a educação um bem de todos, significando dizer mais pessoas nas salas de aula, o que requer, portanto, a existência de muito mais professores.

Comenta-se, insiste-se mesmo, que a causa principal desse estado desestimulante estaria na baixa remuneração do professorado. Ora o professor é o instrumento de condução e distribuição do saber, tendo para isto de adquiri-lo pois ninguém ensina o que não sabe. O mestre é um profissional que estará sempre voltando à escola, especialmente o mestre de nossos dias em cuja apropriação do conhecimento haverá de ser mais veloz que a corrida tecnológica. O mestre terá que correr muito mais, de modo que já esteja de frente para receber o impacto da tecnologia no momento em que ela o encontrar.

Voltar à escola, adquirir conhecimento, instrumentalizar-se, atualizar-se no saber segundo a demanda do espírito do tempo, e dominar a nova didática com que distribuir o conhecimento, tudo isto requer disponibilidade financeira. Conquanto nenhum desses itens lhe virá de graça, como lingotes de fogo, caídos sobre as cabeças, em domingo de pentecostes. E a vertente dessa disponibilidade financeira é o seu salário.

Outro dia, em reportagem do Jornal do Commercio (edição de 09.02.2011, 1º cad. pág 2) havia inserta uma indagação do Senador Cristóvão Buarque a qual tem tudo a ver com o que estamos escrevendo: “Que futuro tem um país que diminui o número de seus professores?” E ele mesmo responde, afirmando e advertindo: “Não há futuro num país que não tem um alto potencial de produção de inteligência”.


Grão-Mestres e líderes maçons, diante da responsabilidade dos cargos que exercem, têm estado reunidos em assem-bleias gerais em vários pontos do Brasil, discutindo o assunto “melhoria da qua-lidade da educação”, chamando a atenção para estes pontos críticos, e sugerindo caminhos para seu equacionamento. Aconteceu assim, o ano passado, em Blumenau, Fortaleza, Salvador, Recife, Macapá e, já este ano, na Capital Federal.

Agora, estão essas lideranças, em companhia de renomados especialistas, analisando e acompanhando a tramitação, na Câmara dos Deputados, do projeto de lei que estabelece o Plano Nacional de Educação para os próximos 10 anos. E, nele, se inclui (item 9) dispositivo que trata da “valorização dos profissionais de educação”. Percebemos que esta será a janela pela qual se descortinam as chances para discussão da retomada do estímulo à fascinante e nobre carreira do magistério.

Pois é como escreveu a filósofa Maria Lúcia de Arruda Aranha (em Filosofia da Educação, Edit Moderna, SP, pág 296): [“ ... a aula de saliva e giz está condenada ...”].
(Informabim 280 B)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

UMA URGENTE E DOCE REVOLUÇÃO II

Uma urgente e "doce revolução"
II/2 - DECIFRANDO A ESFINGE
Irm Antônio do Carmo Ferreira
Já concluindo o seu governo, o Presidente Lula encaminhou à Câmara dos Deputados projeto de lei e anexo referentes a um “Plano Nacional de Educação” (*). Assim procedendo, o Presidente dá início à formulação das diretrizes para a educação, no País, no período decenal que se estenderá de 2011 a 2020. Cabe ao povo e às instituições, o acompanhamento da tramitação legislativa, não somente conhecendo o texto, lendo-o com a maior atenção, escrevendo as alterações de que verifiquem ele carecer, mas também enviando essas emendas ao Parlamento e exigindo das Comissões deste as audiências públicas, para que o Plano seja amplamente debatido, até que ao findar da elaboração legislativa haja o Documento que realmente se preste às diretrizes da educação da qual o Brasil tanto espera e merece. Ressalte-se que não basta a elaboração da lei. É preciso que inserto nela esteja evidente o dispositivo que garanta ao povo fiscalizar o seu cumprimento, com severas penas ao infrator.**

O Governo Federal, com este procedimento, respeita obrigação cons-titucional da educação para todos, como também sinaliza a intenção de colaborar com o futuro do País, pois como é sabido e tem-se provado isto à saciedade, sem educação não teremos desenvolvimento econômico e social, quer dizer, amanhã, quando muito, dentro do mundo globalizado, seríamos vistos como uma manada de búfalos. Aliás a este respeito dissertaram Martin & Schumann em livro publicado sob o título de “A armadilha da globalização”, onde escrevem que os 500 maiores empresários do mundo haviam decidido sobre isto já fazia tempo e que a previsão deles era de que o início do novo milênio seria tomado por uma economia, em que em cada 100 pessoas, apenas 20 seriam suficientes para gerar a produção total e assim possuiriam as condições de sobrevivência e prosperidade, sem qualquer dificuldade. Os 80 restantes, como não teriam o que almoçar, ganhariam o direito de pensar como “seriam almoçados”. O professor Cristóvão Buarque, então já com a sua responsabilidade de ex reitor da Universidade de Brasília e de ex Governador do Distrito Federal, fez o seu alerta através do artigo “Um choque de ética”, publicado pelo Diário de Pernambuco, edição de 13.12.98. Aí ele adverte que a globalização é irreversível, e como a própria palavra diz, nela estão todos, indivíduos, grupos, associações e nações. Os previdentes se cuidariam. Preparar-se-iam e se protegeriam, para usufruir dos benefícios. Mas os retardados, estes pagariam caro pela demora. Profecia do mestre, agora com mandato no Senado Federal. Qual a imagem atual da qualidade de nossa educação, diante dos índices interna-cionais de avaliação ?

O Senador Buarque insiste em sua cruzada em favor de uma educação de melhor qualidade para todos os brasi-leiros.*** Professor e dirigente de ensino em nível universitário, como também em todos os níveis desde o ensino às crianças, dado que foi Governador do Distrito Federal, é uma voz que deve ser ouvida e uma experiência que deve ser consultada, quando se trata de educação em nosso País. Recentemente, fez palestra perante uma assembleia de líderes maçons, realizada em Brasília (19.11.2010), dissertando sobre o tema “Educacionismo e a construção do Brasil”, em que ele, entre outros lindos despertares, legou-nos estes: “Estive cansado, junto com tantos outros, com a dificuldade de mudar a trágica realidade que caracteriza o Brasil. Mas despertei. [ ... ] Despertei para o fato de que o nosso papel é despertar o povo brasileiro, e todas as suas classes, não só para o cansaço com a realidade, mas para a esperança e para a necessidade de uma revolução educacional; garantir escolas com a mesma qualidade em todo o país, para todas as classes e em todas as cidades. Escolas tão boas que as melhores no mundo”. E para os que desistem ao virem que longa será a caminhada, mandou-lhes o seguinte despertar: “Despertei também para a necessidade da paciência, porque essa revolução levará algumas décadas para ser realizada. Mas, angustiado, despertei para a urgência de iniciar imediatamente essa doce revolução”.(Jornal da Grande Loja, Goiânia/GO, edição Nov/2010)

Nestes tempos de prioridade para a educação, num atrevimento danado estive a ler “Filosofia da educação”, livro escrito pela doutora Maria Lúcia de Arruda Aranha, publicado pela Editora Moderna Ltda, de São Paulo. Aí pincei dois grandes conselhos que transmito para os que se distanciaram da escola e agora retornam e pretendem engajar-se nesta “revolução”: a) “... lembramos as mudanças decorrentes das novas tecnologias de informação e comunicação que alteraram profundamente as maneiras de lidar com o conhecimento, tanto na sua produção como na sua transmissão. Aliados a isso, os fenômenos da globalização, da interação imensa entre cultura e populações heterogêneas, da pluralidade de valores e de comportamentos têm ajudado a romper as estruturas tradicionais (Pág 294). b) De início podemos lembrar que “a aula de saliva e giz” está condenada, bem como o professor encarregado da mera transmissão do saber”(Pág 296). Então a filósofa Maria Lúcia nos adverte da existência destas novas circunstâncias e que entendo ser uma excelente e oportuna orientação para todos aqueles que, vindo de gerações que se formaram segundo a ótica de outras exigências, agora se alistam construtores de pontes para a sociedade brasileira do amanhã.

José Américo de Almeida, romancista e político,.era Governador do Estado da Paraíba, quando se propôs à criação da Universidade daquele Estado, que mais tarde veio a ser Federal. As últimas palavras de sua mensagem à Assembleia Legislativa: “Eu vos dei as raízes. Outros vos darão asas e o selo da perpetuidade”. Entendo que o Ministro Haddad, ao encerrar as justificativas do projeto de lei, poderia ter usado as expressões de Zé Américo, ou não nas usou, mas teria lembrado. Agora, cabe-nos a responsabilidade “das asas e do selo”. O Presidente “deu as raízes”. O Governo, em seu projeto, revela o que entende ser a educação nesta década que ora se inicia, girando em torno de uma síntese de dez itens a saber:

I – erradicação do analfabetismo;


II – universalização do atendimento escolar;


III – superação das desigualdades educacionais;


IV – melhoria da qualidade do ensino;


V – formação para o trabalho;


VI – promoção da sustentabilidade sócio-ambiental;


VII – promoção humanística, científica e tecnológica do País;


VIII – estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto;


IX – valorização dos profissionais da educação; e


X – difusão dos princípios da equidade, do respeito à diversidade e a gestão democrática da educação.”

Estes itens se desdobraram em 20 metas que são justificadas, cada uma delas, com várias diretrizes, chamadas de “estratégias” pela equipe redatora do Ministério da Educação. As “metas” e res-pectivas“estratégias” encontram-se no endereço http://www.domcarmo.blogspot.com , em seu inteiro teor, para que, com a sua disponibilidade e leitura, possamos fazer o proveito de que necessitamos, ao participar dessa urgente e “doce revolução” , como a denominou, patrioticamente, o Senador Cristóvão Buarque.



(*) Já está na Câmara o documento de autoria do Poder Executivo que tramitará com o nº PL 8035/10. Inici-almente, sob os cuidados da Comissão de Educação e Cultura, em cujo seio, em breve, a Deputada Fátima Bezerra (do Rio Grande do Norte) apresentará seu parecer, tendo em vista que para isto foi designada.


(**) Tramita, na Câmara, desde novembro, projeto de lei de iniciativa do Poder Executivo que objetiva alterar a Lei nº 7347/85, para disciplinar a ação civil pública de responsabilidade educacional. A intenção é dar poder ao Ministério Público para fiscalizar os agentes da educação nas três esferas do Executivo. Isto permitirá que os gestores sejam cobrados por sua ação ou omissão, acionados e punidos.


(***) Tramita, no Senado, desde 2007, projeto de lei nº 480, de iniciativa do Senador Cristóvão Buarque, em que se determina a obrigatoriedade de os agentes públicos eleitos matricularem seus filhos e demais dependentes em escolas públicas de educação básica. Justifica o Senador: “No Brasil, os filhos dos dirigentes políticos estudam a educação básica em escolas privadas. Isto mostra, em primeiro lugar, a má qualidade da escola pública brasileira, e, em segundo lugar, o descaso dos dirigentes para com o ensino público”.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

informabim 279 A e B


HOMENAGEM AO IR FREI CANECA
Irm Antônio do Carmo Ferreira




O GOIPE prestou justa e merecida homenagem ao Irmão Joaquim do Amor Divino Rabelo, o frei Caneca, em solenidade pública realizada no dia 13 de janeiro deste ano, ao entorno do Forte de Cinco Pontas, em Recife, onde se encontra o busto do Herói Nacional.

No dia 13 de janeiro de 1825, por decisão dos representantes da dinastia Bragança, o irmão maçom Frei Caneca foi morto a tiros de arcabuz, em virtude de ter participado da Confederação do Equador, movimento revolucionário iniciado em julho de 1824. Frei Caneca, em 1817, havia sido preso e transferido para os calabouços de Salvador/BA, por ter participado da Revolução de 6 de março daquele ano, através da qual se dava uma pátria aos brasileiros e que durou 75 dias, com Presidente e Ministério (maçons), Constituição, Abolição da escravatura, liberdade de imprensa e Universidade. Pernambuco teve o seu território mutilado em dois terços, perdendo as planícies férteis das Alagoas e a Comarca do São Francisco.

Uma geração formada na Europa e no Seminário de Olinda foi quase totalmente destruída pelos Braganças que submeteram a família pernambucana a horríveis humilhações. Mas a Independência não tardou cinco anos, pois se havia tornado irreversível desde 1817.

Estiveram presentes a estas homenagens de 13 de janeiro de 2011, não só os maçons (em maior parte) do Grande Oriente Independente de Pernambuco, mas também a PMPE com a sua Banda; um Coral da Academia de Música de Pernambuco; um contingente da Secretaria de Direitos Humanos e Segurança Cidadã da Prefeitura da Cidade do Recife, à frente a Titular da Pasta, a Dra Amparo Araújo; uma representação do Rotary Clube Frei Caneca; o frei Damião da Silva, representante Carmelita; e incontáveis representantes do povo.

Após o toque de silêncio e o depósito de uma coroa de flores perante o busto do Ir Frei Caneca, foram oradores, na solenidade: o Frei Damião Silva; o Grão-Mestre Antônio do Carmo Ferreira; o Deão (diretor) da ESAEM, MI Marcos Cabral; e a Secretária Municipal, a Dra Amparo Araújo.

Marcando o evento, uma placa foi colocada, em lugar de muita visibilidade, no muro posterior ao busto de nosso homenageado, com a logomarca do GOIPE e os seguintes dizeres: “Tributo ao maçom Frei Caneca – Herói e Mártir da Liberdade – 13 de janeiro de 1825. Grande Oriente Independente de Pernambuco, 13 de janeiro de 2011.”

A cerimônia das homenagens ao Maçom Frei Caneca foi planejada e coordenada pela ESAEM – Escola Superior de Altos Estudos Maçônicos.

Frei Caneca (Joaquim do Amor Divino Rabelo) foi iniciado maçom na Loja Maçônica Academia de Suassuna e posteriormente filiado a Loja Maçônica Academia do Paraíso, que tiveram, elas ambas, suas colunas reerguidas pelo Grande Oriente Independente de Pernambuco.

Bendita a Lei Federal de iniciativa do Senador Marco Maciel que determinou a inscrição do nome de Frei Caneca no livro dos Heróis Nacionais. Proteste-se que este reconhecimento só viesse a acontecer recentemente, mesmo sabendo que o tempo do patriotismo não se mede por anos. Foi o próprio herói quem no-lo ensinou nos seguintes versos:

Tem fim a vida daquele // que a pátria não soube amar; //


(mas) a vida do patriota // não pode o tempo acabar”.

(INFORMABIM 279 B)