sábado, 9 de fevereiro de 2019

INFORMABIM 468 (A e B)

Irm Antônio do Carmo Ferreira

Não faz muito tempo, uns três anos, se muito, que um professor de escola pública do interior de Pernambuco obtinha a premiação de  primeiro lugar, avaliado em sua metodologia didática e conseqüente aproveitamento de seus alunos do curso de ensino médio. Era ele o professor Jayse Antônio Ferreira. Naquele ano, laureado como o melhor professor de ensino médio no Brasil com exercício na Escola pública estadual Frei Orlando, situada em Itambé.
Município que fica a uns 90 km do Recife, na fronteira com a Paraíba. Sua população em torno de 36 mil habitantes, possuindo ainda um  baixo  índice de desenvolvimento humano (educação, longevidade e renda), entretanto de riqueza surpreendente em “sua vocação histórica”¹, como a reportada premiação do professor Jayse Ferreira e outros acontecimentos que alçam Itambé a essa relevante condição.
Quero lembrar 1796 e o fim de seu inverno, quando foi instalado, naquela localidade, o Areópago, pelo botânico Manuel Arruda da Câmara, reunindo, sob sua orientação, um grupo de estudiosos, para desenvolverem um projeto de construção de uma pátria para os brasileiros.
As notícias são de que o Areópago de Itambé, como passou a ser conhecido, era uma Loja Maçônica, conforme os costumes de então, e, vista nessas condições, nas comemorações de seu bicentenário (1996), pesquisadores e historiadores, reunidos no Recife e lá mesmo em Itambé, resolveram dar-lhe o reconhecimento de “berço da maçonaria brasileira”.
Em 6 de março de 1817 se fez uma Revolução Republicana em Pernambuco, como conseqüência daquela doutrinação dos areopagitas de Itambé, tornando-se irreversível o Grito de Independência em 1822.
Mas meu desejo é falar a respeito de Jayse Antônio Ferreira, professor da escola de referência Frei Orlando, situada em Itambé, onde se encontra reerguido o Areópago – Loja Maçônica – de cujo quadro de Mestres, Jayse Antônio Ferreira é um dos mais ilustres integrantes.
Agora, não mais em avaliação nacional, o professor Jayse, lembrando o sertão de Guimarães Rosa, “do tamanho do mundo”, disputou o reconhecimento com 10 mil professores de 179 países e ficou entre os 50 finalistas, sendo ele um dos dois do Brasil.
Avante, professor Jayse Antônio Ferreira! A estação final dessa caminhada é Dubai, nos Emirados Árabes, ao tempo em que já se forem escoando “as águas de março”. Falam em um milhão de dólares, realmente um Nobel de educação, esse Prêmio Global Teacher versão 2019!. Mas, muito mais que esse valor, como percebemos, é o seu compromisso com o futuro dessa geração que você está educando, revelado em sua dedicação ao que faz, amando intensamente o que faz, tornando-se o construtor de pontes para o amanhã venturoso dessa juventude que você maravilhosamente educa. Boa sorte!
1) Jornal do Commercio, Recife, editorial de 15/12/2018, “vocação histórica de Itambé”.


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