NA EXPECTATIVA DOS GOLS DECISIVOS
Irm Antônio do Carmo Ferreira
Corre pacífica a ideia de que a maçonaria ingressou no Brasil com objetivos nitidamente libertários que não deixam de ser filantrópicos. E esses fins foram alcançados com os movimentos revolucionários que resultaram na desvinculação colonial. E, mais tarde, com a campanha que culminou com a lei áurea da abolição da escravatura. Não há necessidade de falar, aqui, do advento da República, pois republicano era o regime governamental a que se propunham os movimentos da maioridade política de nossa Pátria, haja vista a Revolução Republicana de 6 de março de 1817. O regime monárquico foi uma vereda para encurtar o caminho de 1822, contrariando todos movimentos de independência processados nas Américas Inglesa e Espanhola.
A Maçonaria, como se entende, chamou a si esse procedimento benfazejo, abraçando essas sublimes causas de libertação da humanidade brasileira e, nem precisa dizer aqui, que esses movimentos se empreenderam não como presentinhos de príncipe e princesa. Pois as conquistas foram alcançadas, como estão aí, mas com grande luta do povo brasileiro, marcada pelo heroísmo e martírio de incontáveis de nossos patrícios. Ainda hoje ninguém revelou onde está o corpo do Ir.’. Caneca!
Todavia, reparando bem, já decorridos quase 190 anos da Independência e 122 anos da Abolição, eis que as duas heróicas e sublimes conquistas vêm à tona com a tarja de inconclusas, porquanto haja um mal de imensa perversidade que insiste em apontar neste sentido. Reporto-me ao mal da ignorância que contribui com a maior veemência para dizimar nosso progresso, esgarçar o tecido de nossos costumes políticos, fomentar a miséria no seio da sociedade brasileira.
“A ignorância é a mãe de todos os vícios”, entende-a assim a Maçonaria e, porque essa Instituição cuida do “levantamento de templos à virtude”, não esqueceu, como por felicidade o fez, de incluir em seu ideário o combate permanente a essa desgraça da humanidade: “a ignorância”.
Quando falamos de maçonaria, não há, de imediato, quem deixe de recordar ter sido ela que fez a Independência e a Abolição – marcas decerto de uma Instituição cujos integrantes amam à Pátria e são capazes de oferecer a vida por torná-la respeitada, progressista e sua gente feliz. Mas podemos estar certos de que “a mãe gentil” poderá ser vista “mais contente” (e ela está tristinha), se a Maçonaria continuar firme nesta luta que abraçou, qual seja a da melhoria da qualidade da educação pública no Brasil, incluindo o estabelecimento da responsabilidade educacional.
Este será o grande movimento que dará vitrine à nossa Ordem por todos os tempos. A sociedade clama pelo desenvolvimento econômico e social do Brasil. Isto não vem sem educação. Convocam para o combate á corrupção. Mero paliativo! Isto não se realiza sem a precedência da educação. Falam de bem-estar do povo brasileiro. Isto não se alcança com o peso de 38 milhões de analfabetos e outros tantos de analfabetos funcionais, porque a ausência da educação não deixará.
Quero encerrar este artigo, homenageando uma pessoa que nasceu na pobreza e, provando que esta não é determinismo, superando-se pela educação, hoje é um representante popular, com dignidade, culto e sempre lembrado. Refiro-me ao Deputado Federal Romário e dele são as palavras que seguem: “[ ...] insisto em uma tese em Brasília,com os outros Deputados. O Brasil só vai deixar de ser um país atrasado quando a educação for valorizada. O professor é uma das classes que menos ganha e é a mais importante. O Brasil cria gerações de pessoas ignorantes porque não valoriza a Educação, nem seus professores. Não há interesse de que a população brasileira deixe de ser ignorante. Há quem se beneficie disto. As pessoas que comandam o País precisam passar a enxergar isso. A saúde é importante? Lógico que é. Mas a Educação de um povo é muito mais”. Ídolo Romário! Você acaba de fazer um belíssimo gol.
A Maçonaria, bem que pode reparar no ídolo, pois a torcida espera que seus integrantes façam os gols decisivos, nessa ferrenha partida da Educação
(Informabim 301 B)
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
INFORMABIM 300 A e B
A FÉ E AS OBRAS
Irm Antonio do Carmo Ferreira
Tenho lido, em textos produzidos por maçons, que, conforme seus estudos , o mundo é governado por um conjunto de forças que só não mais são ocultas, porque a maçonaria as descobriu e passou a ser sua maquinista.
Nem municiado da fé que move montanhas eu acreditaria nisto. Pois estando no seio da Ordem há mais de 40 anos, não tive acesso a essas forças. E vejam que tenho ocupado cargos importantes! Mas, sabem!, reza o ditado popular: “para cada cabeça um mundo”. Vai ver que as forças existem e a senha de acesso às mesmas passou e, na oportunidade, eu estaria dormindo...
Às vezes fico a pensar que essa invencionice de forças ocultas é obra da antimaçonaria, engenhada para contaminar maçons despreparados e com isto levar a Ordem ao deboche da sociedade culta.
Essas forças, convinha até que existissem, porque, com elas sob seu comando, ficaria mais fácil para a maçonaria implantar, no mundo, o reinado de paz e o progresso da humanidade em geral. Mas não. A sua existência é anunciada para eliminar altos escalões. Ceifar vidas. Tudo que não é a Ordem.
O eminente escritor Ambrósio Peters exige que a maçonaria seja respeitada por tudo com que tem contribuído, ao longo da história das civilizações, para a evolução da humanidade. E reprova essas invencionices como denuncia a má fé com que agridem a Ordem, atribuindo-lhe caráter de maldades no exercício de suas funções. Alerta o grande pensador maçônico para o fato de que se isto fosse verdade, a mídia jornalística, ávida deste tipo de notícia e dotada, em nossos dias, dos mais avançados instrumentos de pesquisa, já teria colocado pelo avesso e desmoralizado tal ocultismo.
Confesso-me preocupado quando ainda leio ou ouço alguém referir-se a forças ocultas que governam o mundo sob o comando da maçonaria e de qualquer outra instituição.
Nós precisamos, e já, é exorcizar o espírito da preguiça do seio da Ordem, porque o danado desse espírito é que tem sido a causa de todos esses males que nos afligem.
Recordo que no ano de 2008, o irmão Giovani Souto defendeu tese de Mestrado dissertada perante o Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresa, na Capital portuguesa, que foi aprovada. Aí ele faz uma espécie de gozação com os que tentam o ilusionismo de apresentar a Ordem como uma organização secreta. Ressalta que esta não é uma postura correta e sim que “os templos precisam aparecer para a sociedade, demonstrando-se que inexistem rituais macabros ou cultos a divindades. O que existem são estudos morais e filosóficos e a prática do bem e de amor ao próximo.”
Continua que “não adianta calar-se diante de notícias incoerentes e preconceitos sobre essa instituição universal”, passagem que me fez lembrar o irmão Luther King ao lhe ser atribuída a advertência de que “a preocupação não deve estar no grito dos maus, mas no silencio dos bons.” “Uma melhor qualidade nos serviços ofertados pela Maçonaria, prossegue o Irmão Souto, começa por uma boa publicidade. A boa comunicação é um meio de sobrevivência dos bons princípios”.
Há nessas conclusões do mestre Giovani Souto dois tópicos que devemos pinçar: “serviços ofertados pela maçonaria” e “boa publicidade”. No primeiro caso, “os serviços”. Deixa significar que existe algo material a ser implantado em algum lugar, na comunidade, por exemplo. Algo de amor ao próximo que labore em favor do progresso, do bem estar, da felicidade. E que, como reza o segundo caso, todos sejam informados, através de “uma boa publicidade” de tal procedimento por parte da maçonaria. Pois os “bons princípios” necessitam da “boa comunicação” para que sobrevivam e se desenvolvam.
A maçonaria nunca foi uma instituição voltada para dentro. Construtora de muros dentro dos quais escondesse o produto de sua ação. Foi e deverá ser sempre construtora de pontes através das quais pudesse levar o progresso e a felicidade aos muitos. Os aquedutos, os Palácios, os Mosteiros, as Catedrais são algumas provas disto. É verdade que há um procedimento para adoção de seus adeptos e uma pedagogia para formação dos mesmos. São procedimentos e pedagogia que só interessam aos que se “iniciam”, daí o caráter templário de sua transmissão. Mas a prática do saber maçônico, esta é de aplicação na comunidade. A Loja maçônica não é o limite. E sim a vertente.
Tiago, o apóstolo, com as suas missivas, criou uma escola. Ele ensinava não bastar possuir o sentimento do amor. Pois era preciso amar. Como a parábola do semeador. Não bastava possuir o diploma, era preciso sair a semear. E até parecia irritado com os que se contentavam apenas com a fé. Ele exigia mais e dava sentença aos que insistiam na limitação – “a fé sem as obras é coisa nula”.
Em nosso caso, é preciso, já, entusiasmar o maçom quanto ao exercício de sua função de Construtor Social. Pois “de que vale a fé sem as obras” ?
(Informabim 300 B)
Irm Antonio do Carmo Ferreira
Tenho lido, em textos produzidos por maçons, que, conforme seus estudos , o mundo é governado por um conjunto de forças que só não mais são ocultas, porque a maçonaria as descobriu e passou a ser sua maquinista.
Nem municiado da fé que move montanhas eu acreditaria nisto. Pois estando no seio da Ordem há mais de 40 anos, não tive acesso a essas forças. E vejam que tenho ocupado cargos importantes! Mas, sabem!, reza o ditado popular: “para cada cabeça um mundo”. Vai ver que as forças existem e a senha de acesso às mesmas passou e, na oportunidade, eu estaria dormindo...
Às vezes fico a pensar que essa invencionice de forças ocultas é obra da antimaçonaria, engenhada para contaminar maçons despreparados e com isto levar a Ordem ao deboche da sociedade culta.
Essas forças, convinha até que existissem, porque, com elas sob seu comando, ficaria mais fácil para a maçonaria implantar, no mundo, o reinado de paz e o progresso da humanidade em geral. Mas não. A sua existência é anunciada para eliminar altos escalões. Ceifar vidas. Tudo que não é a Ordem.
O eminente escritor Ambrósio Peters exige que a maçonaria seja respeitada por tudo com que tem contribuído, ao longo da história das civilizações, para a evolução da humanidade. E reprova essas invencionices como denuncia a má fé com que agridem a Ordem, atribuindo-lhe caráter de maldades no exercício de suas funções. Alerta o grande pensador maçônico para o fato de que se isto fosse verdade, a mídia jornalística, ávida deste tipo de notícia e dotada, em nossos dias, dos mais avançados instrumentos de pesquisa, já teria colocado pelo avesso e desmoralizado tal ocultismo.
Confesso-me preocupado quando ainda leio ou ouço alguém referir-se a forças ocultas que governam o mundo sob o comando da maçonaria e de qualquer outra instituição.
Nós precisamos, e já, é exorcizar o espírito da preguiça do seio da Ordem, porque o danado desse espírito é que tem sido a causa de todos esses males que nos afligem.
Recordo que no ano de 2008, o irmão Giovani Souto defendeu tese de Mestrado dissertada perante o Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresa, na Capital portuguesa, que foi aprovada. Aí ele faz uma espécie de gozação com os que tentam o ilusionismo de apresentar a Ordem como uma organização secreta. Ressalta que esta não é uma postura correta e sim que “os templos precisam aparecer para a sociedade, demonstrando-se que inexistem rituais macabros ou cultos a divindades. O que existem são estudos morais e filosóficos e a prática do bem e de amor ao próximo.”
Continua que “não adianta calar-se diante de notícias incoerentes e preconceitos sobre essa instituição universal”, passagem que me fez lembrar o irmão Luther King ao lhe ser atribuída a advertência de que “a preocupação não deve estar no grito dos maus, mas no silencio dos bons.” “Uma melhor qualidade nos serviços ofertados pela Maçonaria, prossegue o Irmão Souto, começa por uma boa publicidade. A boa comunicação é um meio de sobrevivência dos bons princípios”.
Há nessas conclusões do mestre Giovani Souto dois tópicos que devemos pinçar: “serviços ofertados pela maçonaria” e “boa publicidade”. No primeiro caso, “os serviços”. Deixa significar que existe algo material a ser implantado em algum lugar, na comunidade, por exemplo. Algo de amor ao próximo que labore em favor do progresso, do bem estar, da felicidade. E que, como reza o segundo caso, todos sejam informados, através de “uma boa publicidade” de tal procedimento por parte da maçonaria. Pois os “bons princípios” necessitam da “boa comunicação” para que sobrevivam e se desenvolvam.
A maçonaria nunca foi uma instituição voltada para dentro. Construtora de muros dentro dos quais escondesse o produto de sua ação. Foi e deverá ser sempre construtora de pontes através das quais pudesse levar o progresso e a felicidade aos muitos. Os aquedutos, os Palácios, os Mosteiros, as Catedrais são algumas provas disto. É verdade que há um procedimento para adoção de seus adeptos e uma pedagogia para formação dos mesmos. São procedimentos e pedagogia que só interessam aos que se “iniciam”, daí o caráter templário de sua transmissão. Mas a prática do saber maçônico, esta é de aplicação na comunidade. A Loja maçônica não é o limite. E sim a vertente.
Tiago, o apóstolo, com as suas missivas, criou uma escola. Ele ensinava não bastar possuir o sentimento do amor. Pois era preciso amar. Como a parábola do semeador. Não bastava possuir o diploma, era preciso sair a semear. E até parecia irritado com os que se contentavam apenas com a fé. Ele exigia mais e dava sentença aos que insistiam na limitação – “a fé sem as obras é coisa nula”.
Em nosso caso, é preciso, já, entusiasmar o maçom quanto ao exercício de sua função de Construtor Social. Pois “de que vale a fé sem as obras” ?
(Informabim 300 B)
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
INFORMABIM 299 A e B
DE COMO NÃO FRUSTRAR AS ESPERANÇAS
Irm Antônio do Carmo Ferreira
Muitos leitores têm-me chamado a atenção para o fato de que as notícias sobre o ensino nas escolas do governo, veiculadas na mídia ao decorrer deste ano (2011) , só se referem ou dão destaque aos aspectos medíocres e a resultados malsucedidos, havendo implícita nesta apreciação, ao que percebo, uma perguntinha: - será que algo de bom não foi realizado?
É bom esclarecer que a imprensa dá a notícia do fato que acontece. Não o inventa. E o acontecimento, apresenta-o com a redação que lhe parece ser atraente ao leitor. Não tenhamos dúvida de que algo de bom tenha sido realizado, mas em percentual diminuto, a ponto de não se tornar uma evidência para grandes espaços..
Também estejamos certos de que a crítica à educação pública não tem sido feita para desestimular. Para afastar das tentativas do acerto. Ao reverso disto. Trata-se de uma forma de contribuir para as soluções, pois é preciso diagnosticar o mal, para, a partir daí, ser oferecido o medicamento na dose certa e no tempo devido, para o êxito da cura.
Aliás, reparando bem, a crítica tem sido por demais benevolente com a morosidade no encontrar dos novos caminhos para a melhoria da qualidade da educação, e até omissa, no que diz respeito à punição aos que permitiram nossa educação pública descer ao piso a que desceu, perante a conceituação internacional.
Outro dia, o Diário de Pernambuco – “jornal mais antigo em circulação na América Latina” – preencheu quase todo o espaço de sua 1ª página com a seguinte manchete: “EM CADA CINCO PESSOAS, UMA NÃO CONSEGUE LER ESTE JORNAL”. Por que? Por que não dispõe de meios financeiros para adquirir o exemplar? Por que odeia ler jornal? Nada disto. Simplesmente porque é uma pessoa analfabeta. Não lhe ensinaram a ler.
Mais de 19 milhões de jovens e adultos analfabetos.(E não estamos falando de analfabetos funcionais (39 milhões), nem os incluindo na manchete). Mais de 19 milhões de pessoas em que frustraram seus sonhos e lhe mataram as esperanças. Ora se “a vida é uma oficina de sonhos”,como ensinava Calderon de la Barca , então, quando falamos de analfabetos, chegamos, com o coração atordoado, aos versos de Castro Alves: são eles “mortos entre os vivos a vagar na terra”. Para reflexão: se o tirar de uma vida (e a vida é um bem que se não deve tirar) custa dezenas de anos de prisão ao malfazejo, qual a punição aos que matam os sonhos e as esperanças de 19 milhões de pessoas?
Os pontos que merecem reparo (e não são poucos) têm sido evidenciados nesta boa hora,em que tramita, na Câmara dos Deputados, projeto de lei sobre o PNE – Plano Nacional de Educação, diretrizes para um decênio que terminaria em 2020, mas que já perdeu um ano, dado que começaria sua vigência em 2011. Metas e meios que precisam de esclarecimentos e de acréscimos, de discussão popular, não somente no Congresso, mas também no seio da sociedade brasileira. É preciso ancorar esse Plano a uma lei conseqüente que estabeleça a responsabilidade educacional (instituindo punição para os omissos), do contrário o PNE vai ser apenas uma linda carta de intenções.
Desejo registrar que a maçonaria está atenta a estes justos reclamos pela melhoria de qualidade da educação pública brasileira e tem realizado fóruns, debates e assembléias gerais a esse respeito em vários pontos do Brasil, formulando sugestões que chegaram aos legisladores que trabalham o Plano no Congresso Nacional. Está convencida de que sem a educação não será possível alavancar a prosperidade de nosso País, como também entende ser a sua posse um tônico que impedirá a frustração dos sonhos e a exaustão das esperanças.
(Informabim 299 B)
Irm Antônio do Carmo Ferreira
Muitos leitores têm-me chamado a atenção para o fato de que as notícias sobre o ensino nas escolas do governo, veiculadas na mídia ao decorrer deste ano (2011) , só se referem ou dão destaque aos aspectos medíocres e a resultados malsucedidos, havendo implícita nesta apreciação, ao que percebo, uma perguntinha: - será que algo de bom não foi realizado?
É bom esclarecer que a imprensa dá a notícia do fato que acontece. Não o inventa. E o acontecimento, apresenta-o com a redação que lhe parece ser atraente ao leitor. Não tenhamos dúvida de que algo de bom tenha sido realizado, mas em percentual diminuto, a ponto de não se tornar uma evidência para grandes espaços..
Também estejamos certos de que a crítica à educação pública não tem sido feita para desestimular. Para afastar das tentativas do acerto. Ao reverso disto. Trata-se de uma forma de contribuir para as soluções, pois é preciso diagnosticar o mal, para, a partir daí, ser oferecido o medicamento na dose certa e no tempo devido, para o êxito da cura.
Aliás, reparando bem, a crítica tem sido por demais benevolente com a morosidade no encontrar dos novos caminhos para a melhoria da qualidade da educação, e até omissa, no que diz respeito à punição aos que permitiram nossa educação pública descer ao piso a que desceu, perante a conceituação internacional.
Outro dia, o Diário de Pernambuco – “jornal mais antigo em circulação na América Latina” – preencheu quase todo o espaço de sua 1ª página com a seguinte manchete: “EM CADA CINCO PESSOAS, UMA NÃO CONSEGUE LER ESTE JORNAL”. Por que? Por que não dispõe de meios financeiros para adquirir o exemplar? Por que odeia ler jornal? Nada disto. Simplesmente porque é uma pessoa analfabeta. Não lhe ensinaram a ler.
Mais de 19 milhões de jovens e adultos analfabetos.(E não estamos falando de analfabetos funcionais (39 milhões), nem os incluindo na manchete). Mais de 19 milhões de pessoas em que frustraram seus sonhos e lhe mataram as esperanças. Ora se “a vida é uma oficina de sonhos”,como ensinava Calderon de la Barca , então, quando falamos de analfabetos, chegamos, com o coração atordoado, aos versos de Castro Alves: são eles “mortos entre os vivos a vagar na terra”. Para reflexão: se o tirar de uma vida (e a vida é um bem que se não deve tirar) custa dezenas de anos de prisão ao malfazejo, qual a punição aos que matam os sonhos e as esperanças de 19 milhões de pessoas?
Os pontos que merecem reparo (e não são poucos) têm sido evidenciados nesta boa hora,em que tramita, na Câmara dos Deputados, projeto de lei sobre o PNE – Plano Nacional de Educação, diretrizes para um decênio que terminaria em 2020, mas que já perdeu um ano, dado que começaria sua vigência em 2011. Metas e meios que precisam de esclarecimentos e de acréscimos, de discussão popular, não somente no Congresso, mas também no seio da sociedade brasileira. É preciso ancorar esse Plano a uma lei conseqüente que estabeleça a responsabilidade educacional (instituindo punição para os omissos), do contrário o PNE vai ser apenas uma linda carta de intenções.
Desejo registrar que a maçonaria está atenta a estes justos reclamos pela melhoria de qualidade da educação pública brasileira e tem realizado fóruns, debates e assembléias gerais a esse respeito em vários pontos do Brasil, formulando sugestões que chegaram aos legisladores que trabalham o Plano no Congresso Nacional. Está convencida de que sem a educação não será possível alavancar a prosperidade de nosso País, como também entende ser a sua posse um tônico que impedirá a frustração dos sonhos e a exaustão das esperanças.
(Informabim 299 B)
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