terça-feira, 16 de agosto de 2011
INFORMABIM 291 A e B
Preocupação maçônica com a lentidão governamental na melhoria da educação
Irm Antônio do Carmo Ferreira
Como Grão-Mestre do Grande Oriente Independente de Pernambuco, no dia 26.07.2011, participei de reunião do Rotary Club Recife-Brum, onde e quando, a convite daquela associação, proferi palestra sobre “A Educação e a Maçonaria”, que é título e conteúdo de um de meus livros, publicado este ano, pela Editora Maçônica A TROLHA Ltda, do oriente de Londrina/PR.
Na oportunidade, revelei-me muito preocupado com o estado de inferioridade na qualidade da educação que vem sendo administrada, para os jovens de nosso País. Essa preocupação mais se acentua diante da morosidade com que o setor governamental reage.
Recentemente, o Ministério do Trabalho alardeou ser o Brasil a meca do emprego para estrangeiros, considerando que, no primeiro semestre deste ano, 26.545 postos de trabalhos em nosso País foram preenchidos por pessoas que vieram de outros países e, aqui, se empregaram com carteira assinada (Diário de Pernambuco, 23.07.2011, pág E4). São empregos de bons salários que, decerto, não serão (em grande parte) gastos no Brasil e que se assim fosse seriam investidos, aqui mesmo, entre nós, reforçando as aquisições e estimulando o nosso crescimento econômico.
E por que isto? Porque não se cuidou da educação. Negou-se a decisão de formar os nossos jovens. Uma quantidade incontável de desocupados diante de novos postos de trabalho, sem a condição qualitativa para ocupá-los.
Agora, o Brasil, desafiado pela economia globalizada, vendo outras nações correrem em sua frente, dá sinais de que pretende retomar seu processo de desenvolvimento econômico e, por consequência, melhorar a condição social dos brasileiros. Aí revelam-se estas mazelas da educação pública, de sua baixa qualidade. E nossos postos de trabalho são preenchidos pela mão de obra estrangeira.
Então o Governo, já tardiamente, porque os pólos de crescimento já foram instalados, anuncia a possibilidade escolar para formação da mão de obra especializada, e abre vagas para o ingresso nos educandários de nível superior. Sabem o que aconteceu? O ensino médio da escola pública não correspondeu. Confessou sem palavras, com o resultado decorrente das provas vestibulares, que levava os jovens que por lá passaram, a lugar nenhum.
As preocupações expressas procedem e mais se enfatizam, com a notícia agora divulgada através do Jornal do Commercio (Caderno Cidades, 26.07.2011, pág 6) que se edita em Pernambuco. “Mais de 70% dos candidatos foram eliminados [...] De cada 4 candidatos que participaram do vestibular para o conjunto das engenharias da Universidade Federal de Pernambuco, realizado este mês, apenas UM conseguiu ultrapassar a nota 2”.
A maçonaria, como a sociedade, está preocupada com esse desleixo. Com esta lentidão que se constata na reação do setor governamental. Todo dia, a mídia anuncia um fato desagradável referente à educação entre nós, quando a educação, para o povo que quer progredir, é investimento essencial e inadiável. Provam isto todas as nações desenvolvidas ou as que estão levando a sério o seu desejo de desenvolvimento.
Como reprova isto a notícia que já começa a circular, de que o Ministério da Educação, embora tenha, para este ano, um orçamento de R$1,37 bilhão para o PAC (programa de aceleração do crescimento), só tenha executado, até junho, R$123,36 milhões. Quer dizer, uma pífia utilização de apenas 9% (nove por cento).
Tramita na Câmara dos Deputados projeto de lei que estabelece o Plano Nacional de Educação, para dez anos. A maçonaria está acompanhando, com acurada atenção, os seus passos, inclusive contribuindo com sugestões, conforme “Carta de São Paulo” de original entregue pelo Grão-Mestre Presidente da COMAB ao Senador José Sarney, na qualidade de Presidente do Congresso Nacional.
Valho-me deste intermédio, para dizer-me bastante agradecido, face à deferência com que fui acolhido, e impressionado com o alto grau de solidariedade do Rotary Club Recife Brum à campanha que a Maçonaria desenvolve em favor da educação, debatendo o assunto com profundidade e grande interesse.
Vamos continuar rogando ao Grande Arquiteto do Universo que o PNE resulte em efetivo instrumento de combate à ignorância – mãe de todos os vícios – e de fomento ao bem estar do povo brasileiro
(Informabim 291 B)
segunda-feira, 25 de julho de 2011
INFORMABIM 290 A e B
O SONHO E A ESCADA
Ir.: Antônio do Carmo Ferreira
Não sei se é costume em todas as regiões do Brasil, o maçom dizer que “subiu um degrau na Escada de Jacó”, para externar sua alegria em receber “aumento de salário”.
Aqui, na região em que vivo e tenho vinculação com a Arte Real, é rotina dizer-se esta expressão, tanto na revelação da felicidade de quem foi elevado de grau, como nos discursos de saudação aos beneficiados.
Entendo que deverá ser muito denso o significado deste símbolo na maçonaria (1), diante de tanta ênfase que se lhe dá em seu uso ou ao se fazer a sua exegese, por mais superficial que seja a abordagem.
Não quero falar que a Escada de Jacó é importante, por haver sido admitida no Simbolismo Maçônico e, coincidentemente, ao mesmo tempo em que se inaugurava o primeiro Templo Maçônico, construído como tal e para esta finalidade – o Freemason’s Hall – inaugurado em 1776 (2), no oriente de Londres.
Nem desejo registrar, mas já registrando, a sua importância, porque esteja configurada no Painel da Loja de Aprendiz, elaborado por Willian Dight, em 1808 (3), onde a Escada de Jacó aparece, partindo da Bíblia aberta sobre o altar e alçando-se ao céu, que o alcança no clarão de uma estrela de sete pontas.
Todavia, como se percebe, mesmo sem querer me referir a uma Escada, já falei de duas. Uma, a do sonho de Jacó, cuja descrição vem do Velho Testamento (4). Outra, desenhada por Dight, que se reporta à primeira, mas com omissões e algumas inserções. Na Escada do sonho, ela está ligando a terra ao céu, e anjos, sobem e descem. Na Escada do Painel, ela está ligando a Bíblia do altar ao céu, sem anjos, mas com a introdução de fortes símbolos do cristianismo, quais sejam: a cruz da fé, a âncora da esperança, e o cálice do amor (o sangue do Filho de Deus, derramado em face do amor pela humanidade). (5)
O sonho, teve-o Jacó, e está totalmente narrado no Gênesis. O Senhor, na oportunidade, fala a Jacó de tudo de bom que lhe está reservado, tanto a Jacó quanto à sua descendência – o povo de Israel, nome este que substituiu o de Jacó, após sua luta com o anjo, episódio de que a Bíblia se ocupa no livro de Gênesis (6)
A conversa havida ao pé da Escada inspira o entendimento de uma contrapartida de Jacó e descendentes ao que o Senhor, seu Deus, lhe estava a garantir. Que aquele povo desse à vida o destino de encaminhar-se ao Altíssimo: (7) “uma peregrinação de retorno à Casa do Pai”, como séculos depois, Santo Agostinho ensinava a respeito da vida.
Parece-me não causar arrepios dizer que a maçonaria pensa desta forma, quando proclama a “prevalência do espírito sobre a matéria”. Pensamento este muito bem retratado na composição do compasso e esquadro, sendo este a matéria e aquele o espírito.
A vida, em seus aspectos menos tangíveis, é o mote principal da Ordem. O aperfeiçoamento do iniciado e seu exemplo na comunidade em que habita.. O cuidado com o bem-estar do próximo. O zelo pela família. A dedicação às coisas do amor fraternal. O adepto da maçonaria deve apresentar-se pelo bem que pode fazer.
A Escada de Jacó indica esta trajetória. No que se refere ao sonho, ela é utilizada pelos anjos (seres plenos de virtudes) em sua movimentação. O maçom deverá ser um construtor de templos à virtude. Ele mesmo será uma pedra que se poliu para ocupar espaço na construção. Ascender mais um degrau na Escada é estar mais perto do Criador. Significa dizer: possuir mais virtudes. A contrapartida ao que o Senhor ofertou a Jacó.
A Escada de Jacó, na concepção de Dight, que contém os símbolos da fé, da esperança e do amor, tem o chamamento do maçom a seu próprio aperfeiçoamento.
Se o maçom diz que subiu um degrau na Escada, tem convicção do que está dizendo, e acredita nisto, ele está declarando seu compromisso com esta prática de amar a Deus, pois está em seu caminho; de aperfeiçoar-se, porque é destinado a ser templo de Deus (8); e de amar ao próximo que é um estágio da Escada, que se encontra mais aproximado do Altíssimo.
Que o Grande Arquiteto do Universo conceda, sempre, aos irmãos maçons a força e o vigor suficientes para subirem, não somente um, porém vários degraus nesta desafiadora “escada”, com a qual sonhou Jacó e na qual a maçonaria se inspira a cada instante.
RECURSOS BIBLIOGRÁFICOS
(1) “A Escada de Jacob é alegoria de origem bíblica e designa a escada que Jacob viu em sonho, a qual simbolizava a providência e cuidado especial de Deus por Jacob; os anjos levavam suas orações e necessidades ao trono de Deus e desciam com as bênçãos divinas; em Maçonaria ela é representada sobre o círculo entre paralelas verticais e tangenciais, tendo no topo, uma estrela de sete pontas, como símbolo da ligação do iniciado com Deus, através da ascensão na escada iniciática”. José Castellani, no livro Dicionário Etimológico Maçônico, vol. DEFG, pág. 59, Editora A Trolha, Londrina/PR..
(2) “Naquele ano foi pintado um Painel... tudo leva a crer que o irmão Pintor... acrescentou também a Escada de Jacó, que desde alguns anos antes já vinha sendo ensinado nas Lojas. Lendo Machey, vemos que no rito de York, a Escada não era um Símbolo original, tendo sido introduzido por Dunckerley em 1776, época em que Priston iniciou suas LEITURAS. O que vem a comprovar, é que, até aquela data, a Escada de Jacó ainda não era um Símbolo Maçônico. No Rito Escocês Antigo e Aceito, ela entrou pelas mãos de Miguel André de Ransay, que era um ardoroso defensor dos Stwarts, transformando em símbolo maçônico a Escada Mística dos Mistérios Mitraicos.” Francisco de Assis Carvalho no livro “Símbolos Maçônicos e suas origens”, págs. 135, 136 e 137, Editora A Trolha, Londrina/PR..
(3) “Willian Dight, um maçom inglês, pintor, em 1808 elaborou três Painéis sobre lona, como era de uso na época.” Rizzardo Da Camino no livro “Os Painéis da Loja de Aprendiz” pág. 109, Editora A Trolha. Na pág. 110 da mesma obra, está reproduzido o painel onde se encontra o desenho da Escada de Jacó.
(4) Gênesis 28:10 – 17
(5) I Cor 13:13
(6) Gênesis 32: 28
(7) Gênesis 28:20 – 22
(8) I Cor 6: 19
(Informabim 290 B)
Ir.: Antônio do Carmo Ferreira
Não sei se é costume em todas as regiões do Brasil, o maçom dizer que “subiu um degrau na Escada de Jacó”, para externar sua alegria em receber “aumento de salário”.
Aqui, na região em que vivo e tenho vinculação com a Arte Real, é rotina dizer-se esta expressão, tanto na revelação da felicidade de quem foi elevado de grau, como nos discursos de saudação aos beneficiados.
Entendo que deverá ser muito denso o significado deste símbolo na maçonaria (1), diante de tanta ênfase que se lhe dá em seu uso ou ao se fazer a sua exegese, por mais superficial que seja a abordagem.
Não quero falar que a Escada de Jacó é importante, por haver sido admitida no Simbolismo Maçônico e, coincidentemente, ao mesmo tempo em que se inaugurava o primeiro Templo Maçônico, construído como tal e para esta finalidade – o Freemason’s Hall – inaugurado em 1776 (2), no oriente de Londres.
Nem desejo registrar, mas já registrando, a sua importância, porque esteja configurada no Painel da Loja de Aprendiz, elaborado por Willian Dight, em 1808 (3), onde a Escada de Jacó aparece, partindo da Bíblia aberta sobre o altar e alçando-se ao céu, que o alcança no clarão de uma estrela de sete pontas.
Todavia, como se percebe, mesmo sem querer me referir a uma Escada, já falei de duas. Uma, a do sonho de Jacó, cuja descrição vem do Velho Testamento (4). Outra, desenhada por Dight, que se reporta à primeira, mas com omissões e algumas inserções. Na Escada do sonho, ela está ligando a terra ao céu, e anjos, sobem e descem. Na Escada do Painel, ela está ligando a Bíblia do altar ao céu, sem anjos, mas com a introdução de fortes símbolos do cristianismo, quais sejam: a cruz da fé, a âncora da esperança, e o cálice do amor (o sangue do Filho de Deus, derramado em face do amor pela humanidade). (5)
O sonho, teve-o Jacó, e está totalmente narrado no Gênesis. O Senhor, na oportunidade, fala a Jacó de tudo de bom que lhe está reservado, tanto a Jacó quanto à sua descendência – o povo de Israel, nome este que substituiu o de Jacó, após sua luta com o anjo, episódio de que a Bíblia se ocupa no livro de Gênesis (6)
A conversa havida ao pé da Escada inspira o entendimento de uma contrapartida de Jacó e descendentes ao que o Senhor, seu Deus, lhe estava a garantir. Que aquele povo desse à vida o destino de encaminhar-se ao Altíssimo: (7) “uma peregrinação de retorno à Casa do Pai”, como séculos depois, Santo Agostinho ensinava a respeito da vida.
Parece-me não causar arrepios dizer que a maçonaria pensa desta forma, quando proclama a “prevalência do espírito sobre a matéria”. Pensamento este muito bem retratado na composição do compasso e esquadro, sendo este a matéria e aquele o espírito.
A vida, em seus aspectos menos tangíveis, é o mote principal da Ordem. O aperfeiçoamento do iniciado e seu exemplo na comunidade em que habita.. O cuidado com o bem-estar do próximo. O zelo pela família. A dedicação às coisas do amor fraternal. O adepto da maçonaria deve apresentar-se pelo bem que pode fazer.
A Escada de Jacó indica esta trajetória. No que se refere ao sonho, ela é utilizada pelos anjos (seres plenos de virtudes) em sua movimentação. O maçom deverá ser um construtor de templos à virtude. Ele mesmo será uma pedra que se poliu para ocupar espaço na construção. Ascender mais um degrau na Escada é estar mais perto do Criador. Significa dizer: possuir mais virtudes. A contrapartida ao que o Senhor ofertou a Jacó.
A Escada de Jacó, na concepção de Dight, que contém os símbolos da fé, da esperança e do amor, tem o chamamento do maçom a seu próprio aperfeiçoamento.
Se o maçom diz que subiu um degrau na Escada, tem convicção do que está dizendo, e acredita nisto, ele está declarando seu compromisso com esta prática de amar a Deus, pois está em seu caminho; de aperfeiçoar-se, porque é destinado a ser templo de Deus (8); e de amar ao próximo que é um estágio da Escada, que se encontra mais aproximado do Altíssimo.
Que o Grande Arquiteto do Universo conceda, sempre, aos irmãos maçons a força e o vigor suficientes para subirem, não somente um, porém vários degraus nesta desafiadora “escada”, com a qual sonhou Jacó e na qual a maçonaria se inspira a cada instante.
RECURSOS BIBLIOGRÁFICOS
(1) “A Escada de Jacob é alegoria de origem bíblica e designa a escada que Jacob viu em sonho, a qual simbolizava a providência e cuidado especial de Deus por Jacob; os anjos levavam suas orações e necessidades ao trono de Deus e desciam com as bênçãos divinas; em Maçonaria ela é representada sobre o círculo entre paralelas verticais e tangenciais, tendo no topo, uma estrela de sete pontas, como símbolo da ligação do iniciado com Deus, através da ascensão na escada iniciática”. José Castellani, no livro Dicionário Etimológico Maçônico, vol. DEFG, pág. 59, Editora A Trolha, Londrina/PR..
(2) “Naquele ano foi pintado um Painel... tudo leva a crer que o irmão Pintor... acrescentou também a Escada de Jacó, que desde alguns anos antes já vinha sendo ensinado nas Lojas. Lendo Machey, vemos que no rito de York, a Escada não era um Símbolo original, tendo sido introduzido por Dunckerley em 1776, época em que Priston iniciou suas LEITURAS. O que vem a comprovar, é que, até aquela data, a Escada de Jacó ainda não era um Símbolo Maçônico. No Rito Escocês Antigo e Aceito, ela entrou pelas mãos de Miguel André de Ransay, que era um ardoroso defensor dos Stwarts, transformando em símbolo maçônico a Escada Mística dos Mistérios Mitraicos.” Francisco de Assis Carvalho no livro “Símbolos Maçônicos e suas origens”, págs. 135, 136 e 137, Editora A Trolha, Londrina/PR..
(3) “Willian Dight, um maçom inglês, pintor, em 1808 elaborou três Painéis sobre lona, como era de uso na época.” Rizzardo Da Camino no livro “Os Painéis da Loja de Aprendiz” pág. 109, Editora A Trolha. Na pág. 110 da mesma obra, está reproduzido o painel onde se encontra o desenho da Escada de Jacó.
(4) Gênesis 28:10 – 17
(5) I Cor 13:13
(6) Gênesis 32: 28
(7) Gênesis 28:20 – 22
(8) I Cor 6: 19
(Informabim 290 B)
domingo, 10 de julho de 2011
INFORMABIM 289 A e B
RESPONSABILIDADE EDUCACIONAL
Irm Antônio do Carmo Ferreira
Venho tratando, com insistência, da situação em que se encontra a qualidade da educação pública em nosso País. Tenho feito isto sob um enfoque maçônico, dado fazer parte da Fraternidade, em cujos objetivos se inclui o permanente combate à ignorância. E, em nome de uma de suas integrantes de que recebi delegação, procuro desincumbir-me da missão, dirigindo debates nas assembléias, instruindo em Lojas e divulgando as sugestões em artigos que os tenho publicado, quinzenalmente, nos principais jornais e revistas da Ordem.
O presente momento é convidativo para isto, diante da crítica internacional e mesmo perante o diagnóstico conhecido por todos, revelantes de uma imagem desoladora, e, ao tempo em que tramita na Câmara dos Deputados a proposta governamental – PNE – com que o Poder Executivo pretende estabelecer as diretrizes, para o setor, no período decenal que se inicia este ano, buscando decerto a qualificação que a construção de nosso futuro requer.
Entende-se que o Plano governamental é bom. Mas temos alertado para que todos acompanhem a sua tramitação, impedindo que ele seja desfigurado. Mais ainda: oferecendo as sugestões para melhorá-lo. E, sem dúvidas, elas são muitas. Uma delas, por exemplo, é a revogação da Lei que permite o analfabeto votar. Se realmente queremos erradicar o analfabetismo neste decênio, como sinaliza o PNE, não tem cabimento, por razões obvias, manter-se em vigor uma lei que permite o analfabeto votar, até premiando-o com o direito de escolher todos os dirigentes da Nação. A restrição é que será o estímulo de procura à escola.
Outros dois pontos que tenho abordado reiteradas vezes são os referentes à existência dos planos de atividades educacionais nos Estados e Municípios. No diagnóstico de nosso atual estágio da educação pública, ressalta a notícia de que poucos são os Estados que têm plano de educação, e se os Estados são poucos muito menos são os Municípios. Então voltamos aos ensinamentos do velho Sêneca: “O marujo que não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe sopra favorável”.
Quando o PNE foi anunciado e com sua chegada ao Congresso Nacional, falou-se muito a respeito dos recursos financeiros comprometidos que seriam da ordem dos 7% do PIB – produto interno bruto. E houve grita em favor de alavancar-se o piso para 10%. Mas ao mesmo tempo, vários jornais impressos e de televisão registravam que os recursos financeiros, mesmo inferiores a 7%, foram suficientes, a aplicação é que teria sido falha. Quer dizer, nem existiam metas a alcançar. A pulverização dos recursos foi diagnosticada pela inferior qualidade com que a educação pública se revelara.
Então que nos acudam as sagradas escrituras em seu novo testamento: “não só orar, mas não esquecer nunca de vigiar”. É imprescindível ao sucesso do plano, a inserção, em seu conteúdo, da responsabilidade por este êxito. Metas estabelecidas, meios condicionados e a fiscalização a respeito da aplicação dos meios e da consecução dessas metas ao tempo estabelecido.
São evidentes estas preocupações em nossos debates no seio da maçonaria e nos artigos que tenho publicado. Em “uma urgente e doce revolução”, de fevereiro, fiz referência a projeto de lei, de iniciativa do Poder Executivo, enviado à Câmara, em novembro/10, que “objetiva alterar a Lei nº 7347/85, para disciplinar a ação civil pública de responsabilidade educacional”. A intenção é dar poder ao Ministério Público para fiscalizar os agentes da educação nas três esferas do Executivo. Isto permitirá que os gestores sejam cobrados por sua ação ou omissão, acionados e punidos. E os cumpridores de seus deveres sejam louvados.
Para grande alegria nossa, viemos a saber que o Deputado Federal Raul Henry desenvolve gestões no sentido de vir a ser escolhido para relatar a matéria. Quer dizer, foi vitoriosa a constatação de que se torna necessário e indispensável o estabelecimento da responsabilidade de quem executa o plano de educação pública, passando a ser crime o descumprimento, seja na ação, seja na omissão.
Falei em alegria, também porque o Deputado Henry, desta forma, pensa igualzinho à maçonaria, mas sem a ela pertencer, nessa luta da educação pública. E possui grande experiência no assunto, tendo sido Presidente da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, e, posteriormente, Secretário Estadual para os assuntos da Educação em Pernambuco. Candidato a Prefeito do Recife, debateu o assunto educação pública e mostrou a sua potencialidade para levá-lo a auspiciosos resultados. Faço votos que seja vitorioso nessa cruzada pela relatoria, pois em alcançando tal desejo, o Plano Nacional de Educação fugirá do rótulo de “uma mera carta de boas intenções”, para resultar completo com a existência e exigência da responsabilidade educacional.
(Informabim 289 B)
Irm Antônio do Carmo Ferreira
Venho tratando, com insistência, da situação em que se encontra a qualidade da educação pública em nosso País. Tenho feito isto sob um enfoque maçônico, dado fazer parte da Fraternidade, em cujos objetivos se inclui o permanente combate à ignorância. E, em nome de uma de suas integrantes de que recebi delegação, procuro desincumbir-me da missão, dirigindo debates nas assembléias, instruindo em Lojas e divulgando as sugestões em artigos que os tenho publicado, quinzenalmente, nos principais jornais e revistas da Ordem.
O presente momento é convidativo para isto, diante da crítica internacional e mesmo perante o diagnóstico conhecido por todos, revelantes de uma imagem desoladora, e, ao tempo em que tramita na Câmara dos Deputados a proposta governamental – PNE – com que o Poder Executivo pretende estabelecer as diretrizes, para o setor, no período decenal que se inicia este ano, buscando decerto a qualificação que a construção de nosso futuro requer.
Entende-se que o Plano governamental é bom. Mas temos alertado para que todos acompanhem a sua tramitação, impedindo que ele seja desfigurado. Mais ainda: oferecendo as sugestões para melhorá-lo. E, sem dúvidas, elas são muitas. Uma delas, por exemplo, é a revogação da Lei que permite o analfabeto votar. Se realmente queremos erradicar o analfabetismo neste decênio, como sinaliza o PNE, não tem cabimento, por razões obvias, manter-se em vigor uma lei que permite o analfabeto votar, até premiando-o com o direito de escolher todos os dirigentes da Nação. A restrição é que será o estímulo de procura à escola.
Outros dois pontos que tenho abordado reiteradas vezes são os referentes à existência dos planos de atividades educacionais nos Estados e Municípios. No diagnóstico de nosso atual estágio da educação pública, ressalta a notícia de que poucos são os Estados que têm plano de educação, e se os Estados são poucos muito menos são os Municípios. Então voltamos aos ensinamentos do velho Sêneca: “O marujo que não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe sopra favorável”.
Quando o PNE foi anunciado e com sua chegada ao Congresso Nacional, falou-se muito a respeito dos recursos financeiros comprometidos que seriam da ordem dos 7% do PIB – produto interno bruto. E houve grita em favor de alavancar-se o piso para 10%. Mas ao mesmo tempo, vários jornais impressos e de televisão registravam que os recursos financeiros, mesmo inferiores a 7%, foram suficientes, a aplicação é que teria sido falha. Quer dizer, nem existiam metas a alcançar. A pulverização dos recursos foi diagnosticada pela inferior qualidade com que a educação pública se revelara.
Então que nos acudam as sagradas escrituras em seu novo testamento: “não só orar, mas não esquecer nunca de vigiar”. É imprescindível ao sucesso do plano, a inserção, em seu conteúdo, da responsabilidade por este êxito. Metas estabelecidas, meios condicionados e a fiscalização a respeito da aplicação dos meios e da consecução dessas metas ao tempo estabelecido.
São evidentes estas preocupações em nossos debates no seio da maçonaria e nos artigos que tenho publicado. Em “uma urgente e doce revolução”, de fevereiro, fiz referência a projeto de lei, de iniciativa do Poder Executivo, enviado à Câmara, em novembro/10, que “objetiva alterar a Lei nº 7347/85, para disciplinar a ação civil pública de responsabilidade educacional”. A intenção é dar poder ao Ministério Público para fiscalizar os agentes da educação nas três esferas do Executivo. Isto permitirá que os gestores sejam cobrados por sua ação ou omissão, acionados e punidos. E os cumpridores de seus deveres sejam louvados.
Para grande alegria nossa, viemos a saber que o Deputado Federal Raul Henry desenvolve gestões no sentido de vir a ser escolhido para relatar a matéria. Quer dizer, foi vitoriosa a constatação de que se torna necessário e indispensável o estabelecimento da responsabilidade de quem executa o plano de educação pública, passando a ser crime o descumprimento, seja na ação, seja na omissão.
Falei em alegria, também porque o Deputado Henry, desta forma, pensa igualzinho à maçonaria, mas sem a ela pertencer, nessa luta da educação pública. E possui grande experiência no assunto, tendo sido Presidente da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, e, posteriormente, Secretário Estadual para os assuntos da Educação em Pernambuco. Candidato a Prefeito do Recife, debateu o assunto educação pública e mostrou a sua potencialidade para levá-lo a auspiciosos resultados. Faço votos que seja vitorioso nessa cruzada pela relatoria, pois em alcançando tal desejo, o Plano Nacional de Educação fugirá do rótulo de “uma mera carta de boas intenções”, para resultar completo com a existência e exigência da responsabilidade educacional.
(Informabim 289 B)
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