quarta-feira, 2 de novembro de 2011

INFORMABIM 295 A e B

AGORA É A HORA DO MAIOR ESFORÇO

Irm Antônio do Carmo Ferreira

Existe uma prioridade no elenco de atividades que a maçonaria brasileira estabeleceu para execução nos tempos atuais. Refiro-me à campanha pela melhoria da qualidade da educação pública em nosso País. E quanto a isto é impossível negar a dedicação com que a maçonaria tem se voltado, para que os mais altos resultados sejam colimados no tempo requerido. Sem dúvida os desafios para que isto aconteça são enormes, contudo mais consoladora será a colheita. E certamente são estas expectativas e estas esperanças que têm alimentado o enfrentamento às barreiras que se levantam.

Mas este cuidado com a formação do homem, no seio da maçonaria, não se inaugura no mundo de agora. Sempre foi o seu mister em todos os tempos. Pois é de sua inerência o combate à ignorância e, por conseqüência, o preparo do homem para o exercício de uma vida digna, não somente a sua vida, mas também contribuindo para que a vida do próximo tenha o mesmo destino. Neste sentido é que recordo passagem de um dos seus mais antigos catecismos, de onde pinço: “Não basta habilitar o indivíduo somente para o trabalho, que é um dever social. É preciso dar-lhe uma formação moral e cívica adequada às novas conquistas da técnica e aos novos caminhos abertos para a ciência e para a arte”.

Os altos dirigentes da Ordem maçônica têm consciência disto e trabalham para que esses sonhos não tardem em se concretizar. Inegável como eles têm sabido colocar voz nesses sonhos de nós todos ! Assembléias gerais e audiências públicas, fóruns de debates sempre acalorados e de posicionamento, têm se repetido, muitas vezes, em todos os principais centros populacionais do Brasil, com o objetivo de se deixar bem claro que, sem a melhoria da qualidade da educação pública, nosso País não irá ao lugar competitivo que a economia globalizada estar a exigir. E nos humilha, e constrange, e empobrece ... perante o concerto internacional das Nações.

As Sagradas Escrituras registram que o homem domina a natureza, isto é, a natureza está à disposição para nosso usufruto (Gênesis 1, 26), mas, para tanto, é exigido o devido conhecimento. Por isto, os maçons ensinam que “tanto mais adiantado é o homem, quanto mais pode haurir dos segredos da natureza e empregar as suas descobertas em benefício da humanidade.”

Outro dia, li uma convocação do Grão-Mestre da Maçonaria catarinense, o maçom Alaor Francisco Tissot, que muito nos deixa entusiasmados, quanto ao empenho com que a Fraternidade deverá encarar esse desafio, exigindo a melhoria da qualidade de nossa educação pública. Muito me animaram o arrojo, a ênfase e a tempestividade da mensagem, porque ela coincide com o momento em que tramita na Câmara dos Deputados o Plano Nacional de Educação que resultará nas “diretrizes e bases” do ensino público no decênio que ora se inicia.

Tamanho o significado do que disse o Grão-Mestre Alaor Francisco Tissot que entendo ser a palavra de ordem de todos os maçons brasileiros. Vejamos: “Urge que se dê maior atenção à Educação, destinando-lhe as necessárias verbas, constituindo um melhor e mais eficiente programa de formação, aperfeiçoamento e valorização do magistério, complementando-se por uma maior assistência e consideração pelo estudante. Educar é fixar limites justos. Cabe assim, a nós maçons, mantendo as nossas dignificantes tradições e contribuição à história, assumirmos essas posições até mesmo ousadas. Ao conclamar a todos a reagir, rogamos ao Supremo Arquiteto do Universo que nos ajude e ilumine" (O Vigilante, edição de set/2011).

Porém a educação, como se percebe, não é tarefa só do governo. Nem a cobrança da melhoria de sua qualidade reserva-se à Maçonaria. É missão de todos: do poder público, das instituições privadas, das famílias. Como também não é tarefa adiável. Não é uma atividade do depois. É de antes. É deste momento. E no estágio em que nos encontramos, o de que “o futuro já está em nossa sala”, agora é a hora do maior esforço.

(Informabim 295 B)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

INFORMABIM 294 A e B

O LIVRO E SUAS MAGIAS

Irm Antônio do Carmo Ferreira


Hoje é domingo. No Recife, já se foi o período hibernal. O dia nasce animado por um sol de verão, iluminando tudo. E incendiando ... Do apartamento, ouve-se a algazarra do povo, num vai-e-vem intenso, pelas ruas. Decerto, indo à praia, indo aos exercícios, indo aos negócios, indo viver a vida. O inverno é dorminhoco, mas o verão é despertador. Mais ainda em Pernambuco, cujo sol “não somente clareia, mas sobretudo incendeia”, como alertava o poeta João Cabral de Melo Neto. Daí a “boniteza da vida nessa manhã tão linda”. Contudo não é da magia que essa manhã nos passa a que desejo me reportar. Desejo falar de outras magias. Também não quero responder a Robert Heibronner que indaga, em seu livro Perspectivas do Homem, “se ainda há esperança” para o ser vivente. Quero dizer como Paulo Soledade: “Vê, há esperança ainda”. Quero falar do livro e algumas de suas magias.

Em Recife de Pernambuco, chega a seus instantes finais a Bienal do Livro, já em sua oitava versão. Um mundão de gente esteve lá. Foi ver, fazer, participar, ouvir, aprender, adquirir. E alguns até foram passear e se divertir. Pois estar ali, também poderia ser um lazer. Contam que 600 mil pessoas estiveram na Bienal do Livro. Um mundão, não é? Porquanto não são muitas as cidades do Brasil que têm essa população! Foram atraídos pela magia do principal artista da feira ...

Livros e autores. Muitos livros. Muito mais do que se pensa. Nacionais e estrangeiros. De todos os estilos e de todas as escolas. Em prosa e verso. Para todos os gostos. Era o que a vista alcançava. Cicerones a indicarem os estandes segundo as especialidades procuradas. Salas de leitura aparelhadas em nada deixando a desejar. Salões para exposição dos escritores. E eles também compareceram, vindos daqui do Brasil e do exterior. Ajudaram a construir a festa, explicando o curso das narrações de suas obras e alguns deles até ensinando, com satisfação, o exercício do escrever aos que se revelaram interessados naquela aprendizagem.

Alardeiam, por aí, umas comparações que deixam o Brasil em desvantagem nesse setor dos livros. Noticiam, por exemplo, que, na Argentina, há uma livraria para cada 6 mil pessoas, enquanto que em nosso País, há uma livraria para cada 65 mil habitantes.A Unesco sugere uma livraria para cada 10 mil habitantes. Também noticiam que no país vizinho, em média, cada pessoa adquire 7 livros por ano. No Brasil, somente 3, e nesses três se incluem os livros didáticos que o MEC distribui. Estes registros não são bons, e não sabemos se realmente correspondem à verdade. Mas pelo sim e pelo não, convém ficarmos atentos. Pois um “país é feito de homens e de LIVROS”, alerta-nos Monteiro Lobato. Sendo que nesse aconselhamento, o Irmão(zinho) Castro Alves, foi mais enfático: “O livro, caindo n´alma, é gérmen que faz a palma; é chuva que faz o mar”.

Considerando que muitos alegam indisponibilidade financeira para aquisição de livro, lembro que o governo federal, através da lei nº 12.244, publicada no DOU de 24.05.2010, determinou que, em 10 anos, houvesse pelo menos uma biblioteca em cada escola do país e que os títulos não fossem inferiores à quantidade de alunos matriculados. Então “livros a mancheia”. Quero louvar a Maçonaria por sua preocupação e seu desempenho em favor da leitura, do livro e da biblioteca. Ensina a Ordem que quanto mais o homem for preparado, mais ele poderá auferir dos benefícios que a natureza oferece. A preparação, segundo ela, vem do saber que se adquire especialmente através dos livros, cujo hábito de ler ela fomenta e inclui nas obrigações de seus quadros.

Estou certo de que o livro contém magias aos milhares, mais do que os telescópios (extensão da vista), mais do que as espaçonaves (extensão das pernas), mais do que o telefone (extensão da voz), mais do que o arado (extensão dos braços), mais do que os landmarks, porque é o livro “extensão da memória e da imaginação”.

A maçonaria está na luta para que em breve se erradique do Brasil a miséria do analfabetismo. E todos possam desfrutar do prazer de ler e de conhecer o livro e suas magias.

INFORMABIM 293 A e B

203 anos de Imprensa no Brasil
Irm.: Antônio do Carmo Ferreira


O bicentenário da Imprensa no Brasil foi comemorado em vários pontos do País, no dia 1º de junho de 2008. Em cada local, procedeu-se a exposição de seu jornal mais antigo, mostrando-se o exemplar mais remoto disponível, prensas, materiais gráficos, tudo que pudesse identificar um início da atividade jornalística na região. Em muitos lugares também foram realizadas mesas de estudos e de debates em que se revelasse a trajetória da imprensa nesses 200 anos no Brasil.

Recordo que até o início deste século, comemorava-se o dia da imprensa em 10 de setembro, por decisão do Governo Getúlio Vargas. Em 1808, naquela data, entrou em circulação A GAZETA, no Rio de Janeiro,

jornal editado pelo frei Tibúrcio José da Rocha, como órgão oficial de divulgação dos feitos da Coroa portuguesa, cuja sede havia se transferido para a Colônia, com a família real fugindo dos soldados de Napoleão.

O engano (de 10 de setembro) se corrigiu a partir do ano 2000, quando o Congresso Nacional discutiu e aprovou projeto, depois convertido em Lei sancionada pelo Presidente Fernando Henrique, estabelecendo em 1º de junho O DIA NACIONAL DA IMPRENSA.

É que no dia 1º de junho de 1808 entrara em circulação o jornal CORREIO BRAZILIENSE, editado, em Londres, por Hipólito da Costa. Justa e verdadeira homenagem a Hipólito José da Costa Furtado de Mendonça, considerado, a partir da Lei, Patrono da Imprensa Brasileira.

Antes dA Gazeta, era proibida, na Colônia, a impressão de qualquer informativo e quem se atrevesse adquirir uma máquina tipográfica terminaria por vê-la confiscada de ordem da Coroa e seu proprietário seria punido com muito rigor. Mas, na América espanhola, era diferente e tal não acontecia.

O jornalista Xico Trolha, em seu livro “Itambé – berço heróico da maçonaria no Brasil” registra: “Um fato bem curioso que ilustra o que era o Brasil do começo do século XIX, não havia em todo o território pernambucano e adjacências uma só tipografia. Aqueles que se meteram a instalar Tipografias no Brasil, pagaram muito caro por essa temeridade por esse “crime infamante”. Ainda segundo seus registros, o comerciante Ricardo Fernandes chegou a importar, da Inglaterra, uma tipografia, em 1815, mas não teve condições de utiliza-la. Quando eclodiu a Revolução de 1817, descobriram-na escondida no fundo de um armazém, sendo ela então usada pelos revolucionários para a impressão de seus panfletos. “Com isso, conclui Xico Trolha, podemos afirmar que Itambé, por intermédio da Revolução Pernambucana, implantou a Imprensa Livre no Brasil”.

O Correio Braziliense chegava ao Brasil, transportado em navios, e, aqui, entrava de forma clandestina. Era um jornal engajado no movimento da independência do Brasil. Seu editor, Hipólito da Costa, era maçom que havia sido perseguido e preso pelos executivos da “santa inquisição”, em Lisboa, de onde fugiu para Londres com a ajuda da maçonaria. E, segundo consta, na qualidade de Grão-Mestre Provincial do Condado de Rutland, Inglaterra,(GLUI) participou da iniciação de Domingos José Martins, Presidente da República implantada em 6 de março de 1817, com a Capital em Pernambuco.

Com a mudança da Capital da República, do Rio, para o planalto central, o Correio Braziliense voltou a circular, editado em Brasília pelo sistema dos Órgãos Associados, inspirado e dirigido pelo jornalista Assis Chateaubriand, paraibano de Umbuzeiro, que marcou época na Imprensa do Brasil pela sua inigualável competência gerencial e inovadora no setor.

Mas o DIA NACIONAL DA IMPRENSA, entre nós, é 1º de junho.

Salve!