SE FOSSE APENAS UM PESADELO
Irm Antônio do Carmo Ferreira
A falta de cuidado com a qualidade da educação pública se estabeleceu no Brasil e, ao que se percebe, dá sinais de evolução, nada obstante o esforço envidado em contrário por muita gente e associações, através de projetos de lei, de orientações, de alerta em artigos e livros, de reuniões e assembléias, mas o mal não cede. São denúncias seguidas, vindas de todos os Estados. Escolas degradadas, aonde o alunado vai menos pelo ensino, mais pela merenda, a qual, ao que se noticia, está sendo oferecida em condições impróprias ao consumo humano. Falam até do entorno da escola como ponto de negócios para drogas. Hoje, ao se perguntar pelo professor a um de seus familiares, a resposta é de que ele “foi dar aula”. Sim, “dar aula”, tão baixa é a remuneração, ao que se juntam adicionais como o desestímulo ao desenvolvimento da vocação para o magistério e o desrespeito aos que abraçam o sacerdócio da formação das gerações.
O jornal O Globo, em edição de 9 de abril deste ano, publicou artigo do senador Cristóvão Buarque sobre “as vergonhas que temos”, em que ele trata do mundo econômico brasileiro que alardeiam ser um paraíso e do nosso mundo social, a respeito de que não falam, porque, no estado precário em que se encontra, fere as nossas vergonhas.
Conta ele que Vitor Hugo se negara a apertar a mão do imperador Pedro II, porque sua majestade convivia com a escravidão. Então que faria hoje o romancista francês perante a mão estendida do brasileiro? Certamente, entende o professor Buarque, Vitor Hugo não lhe apertaria a mão, pelo mesmo motivo – convivência com a escravidão, sendo que a de nossos dias é muito pior que a do passado, a que provém da inferioridade educacional.
E não são poucos os que se encontram nesse estado, infelizmente com predomínio no Brasil. Pois “a maioria dos adultos analfabetos (do mundo) vive em apenas dez países, sendo o Brasil um deles, com 14 milhões, com o agravamento de que, em nosso País, eles nem ao menos reconhecem a própria bandeira. De 1889 até hoje, chegamos à sétima posição mundial na economia, mas temos quase três vezes mais brasileiros adultos iletrados do que tínhamos naquele ano; além de 30 a 40 milhões de analfabetos funcionais”.
Então como se pensar num Brasil, soberano e próspero, se a educação não for para todos e de qualidade ? Aliás, há quem já esteja ensinando que “falar errado” é remédio para “uma vida melhor”. Pior é que o MEC tem apoiado essa posição. Os jornais noticiam que 484.195 alunos receberam, neste ano, livros que ensinam expressões como “os livro”, “nós pega o peixe” e isto já vem acontecendo há 10 anos, com “pelo menos 2 milhões de livros distribuídos a jovens e adultos pelo Programa Nacional do Livro Didático, do Ministério da Educação”. Também tenho para mim que se o objetivo é a inclusão social, esse ensinamento não resultará proveitoso. Rápido e ao inverso, chegar-se-á à exclusão social. E mande-se dinheiro pelo ralo.
É preciso combater a ignorância, porque “ela é a mãe de todos os vícios”, conforme ensina a maçonaria. E “saber mal o que se deve saber certo” é um dos seus aspectos. Desejo lembrar que a instituição maçônica tem estado vigilante à tramitação do PNE (Plano Nacional de Educação) na Câmara dos Deputados e já expôs a sua posição sobre a melhoria da qualidade da educação em todas as suas Assembléias Gerais (COMAB) desde fevereiro de 2010, culminando com a Carta de São Paulo (9 de abril de 2011) cujo original foi entregue ao Senador Sarney, na qualidade de presidente do Congresso Nacional. Ressaltam, de suas decisões, bandeiras como: erradicação do analfabetismo até 2017; valorização dos profissionais da educação; melhoria na educação básica; construção de uma nova vertente para a universidade e para o ensino técnico profissionalizante; comprometimento de valor correspondente a 10% do PIB com a educação; definição como crime a irresponsabilidade educacional, penalizando-se severamente o infrator.
Melhor seria, porém, que estas notícias fossem apenas um pesadelo, porque para nos livrarmos de sua presença, bastaria um simples despertar. (Informabim 286 B)
domingo, 5 de junho de 2011
quarta-feira, 4 de maio de 2011
INFORMABIM 285 A e B
O OLHO DO FAZENDEIRO . . .
Irm Antônio do Carmo Ferreira
Há quem entenda ter causado surpresa ao po-vo a notícia recente de que se tornará neces-sária a importação de mão de obra para suprir a demanda que decorre da aceleração do desenvolvimento econômico de nosso País. Serão milhões de empregos no Brasil, sem que aos mesmos os brasileiros possam ter acesso. E por que este constrangimento? Porque durante décadas estivemos a privilegiar a formação acadêmica direcionada para o setor terciário, mesmo sabendo de sua saturação, em detrimento da formação técnica e profissionalizante. É o próprio Ministério da Educação que registra essa destinação ao bacharelismo, esquecendo-se do amparo ao desenvolvimento da vocação técnica. Hoje, constata-se a proporção de 6 matrículas em cursos superiores contra 1 matrícula no ensino técnico.
Devem ter sido informações desta ordem que influenciaram a Presidente da República a, recentemente, acrescentar em seu plano de governo, no setor educacional, o “programa nacional de acesso ao ensino técnico e ao emprego”, com a sigla Pronatec, através do qual, e como é obvio, procura ensejar as soluções, para este desafio decorrente do crescimento de nossa economia. Em linhas gerais, o mecanismo oferecido contempla (a) a geração de mais escolas técnicas; (b) a convocação de mais professores e especialistas; (c) e a abertura de nova linha de financiamento. A notícia é de que já se encontram em implantação 81 escolas técnicas e o programa acrescenta a construção de mais 120 unidades. O governo federal autorizou, e isto já circula através da mídia impressa, a abertura de 4683 vagas para institutos de educação, ciência e tecnologia, sendo 2867 para o cargo de professor. Além disto, propõe-se o governo a rever o FIES, programa de financiamento aos estudantes, que hoje serve apenas aos de curso superior, e com a revisão, será também direcionado para atender ao estudante de nível médio profissionalizante.
Esta decisão governamental motiva alegria e credibilidade, porque vai ao encontro dos anseios do povo – mais educação e mais possibilidades de emprego e renda – e torna evidente o resgate do compromisso de acelerar o desenvolvimento do Brasil, ora tentando suprir a carência de recursos humanos especializados.
Todavia não é por todos esses acenos e anunciações que o povo pode sentar-se à beira da estrada e, ao soprar da brisa, aguardar que tudo aconteça, como se tudo viesse, ao alvorecer, qual maná encontrado no deserto nos tempos mosaicos. Todos nós – indivíduos e associações - temos que participar. Cada um com as suas possibilidades, é claro.
Neste mês, só para citar um exemplo, a Maçonaria, no exercício de seu nobre papel de combatente da ignorância, realizou em São Paulo um “encontro nacional” – o XVI – do qual fizerem parte os pesquisadores, escritores, acadêmicos, historiadores e jornalistas. A cultura maçônica ali reunida, após examinar os “desafios de nosso tempo”, expediu um manifesto à Nação em favor da melhoria da qualidade da educação, no qual põe em destaque a erradicação do analfabetismo e a construção de uma nova vertente para a universidade e o ensino profissionalizante. O manifesto, denominado Carta de São Paulo, foi entregue ao Senador Sarney – Presidente do Congresso Nacional, onde ora se encontra em tramitação o Plano Nacional de Educação para o decênio 2011 a 2020.
Mas não é só a Maçonaria que deve acompanhar a formulação do Plano e sua tramitação. É preciso que todos participem, pois este assunto da educação é grande demais, para ser cuidado apenas pelo Governo. A erradicação da pobreza no Brasil resultará desse caminho, como não haverá outra via para o progresso e o bem estar, como não houve para nenhuma outra nação, senão esta da educação de seu povo. O que se diz e o que se sabe é que os recursos financeiros destinados a esses programas são suficientes. Então é preciso “vigiar”, cobrando-se a efetiva presença do povo no acompanhamento de sua aplicação e dos resultados, pois, conforme adverte a sabedoria popular, sem “o olho do fazendeiro” não se “ engorda o rebanho”.
(Informabim 285 B)
Irm Antônio do Carmo Ferreira
Há quem entenda ter causado surpresa ao po-vo a notícia recente de que se tornará neces-sária a importação de mão de obra para suprir a demanda que decorre da aceleração do desenvolvimento econômico de nosso País. Serão milhões de empregos no Brasil, sem que aos mesmos os brasileiros possam ter acesso. E por que este constrangimento? Porque durante décadas estivemos a privilegiar a formação acadêmica direcionada para o setor terciário, mesmo sabendo de sua saturação, em detrimento da formação técnica e profissionalizante. É o próprio Ministério da Educação que registra essa destinação ao bacharelismo, esquecendo-se do amparo ao desenvolvimento da vocação técnica. Hoje, constata-se a proporção de 6 matrículas em cursos superiores contra 1 matrícula no ensino técnico.
Devem ter sido informações desta ordem que influenciaram a Presidente da República a, recentemente, acrescentar em seu plano de governo, no setor educacional, o “programa nacional de acesso ao ensino técnico e ao emprego”, com a sigla Pronatec, através do qual, e como é obvio, procura ensejar as soluções, para este desafio decorrente do crescimento de nossa economia. Em linhas gerais, o mecanismo oferecido contempla (a) a geração de mais escolas técnicas; (b) a convocação de mais professores e especialistas; (c) e a abertura de nova linha de financiamento. A notícia é de que já se encontram em implantação 81 escolas técnicas e o programa acrescenta a construção de mais 120 unidades. O governo federal autorizou, e isto já circula através da mídia impressa, a abertura de 4683 vagas para institutos de educação, ciência e tecnologia, sendo 2867 para o cargo de professor. Além disto, propõe-se o governo a rever o FIES, programa de financiamento aos estudantes, que hoje serve apenas aos de curso superior, e com a revisão, será também direcionado para atender ao estudante de nível médio profissionalizante.
Esta decisão governamental motiva alegria e credibilidade, porque vai ao encontro dos anseios do povo – mais educação e mais possibilidades de emprego e renda – e torna evidente o resgate do compromisso de acelerar o desenvolvimento do Brasil, ora tentando suprir a carência de recursos humanos especializados.
Todavia não é por todos esses acenos e anunciações que o povo pode sentar-se à beira da estrada e, ao soprar da brisa, aguardar que tudo aconteça, como se tudo viesse, ao alvorecer, qual maná encontrado no deserto nos tempos mosaicos. Todos nós – indivíduos e associações - temos que participar. Cada um com as suas possibilidades, é claro.
Neste mês, só para citar um exemplo, a Maçonaria, no exercício de seu nobre papel de combatente da ignorância, realizou em São Paulo um “encontro nacional” – o XVI – do qual fizerem parte os pesquisadores, escritores, acadêmicos, historiadores e jornalistas. A cultura maçônica ali reunida, após examinar os “desafios de nosso tempo”, expediu um manifesto à Nação em favor da melhoria da qualidade da educação, no qual põe em destaque a erradicação do analfabetismo e a construção de uma nova vertente para a universidade e o ensino profissionalizante. O manifesto, denominado Carta de São Paulo, foi entregue ao Senador Sarney – Presidente do Congresso Nacional, onde ora se encontra em tramitação o Plano Nacional de Educação para o decênio 2011 a 2020.
Mas não é só a Maçonaria que deve acompanhar a formulação do Plano e sua tramitação. É preciso que todos participem, pois este assunto da educação é grande demais, para ser cuidado apenas pelo Governo. A erradicação da pobreza no Brasil resultará desse caminho, como não haverá outra via para o progresso e o bem estar, como não houve para nenhuma outra nação, senão esta da educação de seu povo. O que se diz e o que se sabe é que os recursos financeiros destinados a esses programas são suficientes. Então é preciso “vigiar”, cobrando-se a efetiva presença do povo no acompanhamento de sua aplicação e dos resultados, pois, conforme adverte a sabedoria popular, sem “o olho do fazendeiro” não se “ engorda o rebanho”.
(Informabim 285 B)
terça-feira, 26 de abril de 2011
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