quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

INFORMABIM 436 (A e B)



SEMPRE TRATANDO DE LIVROS E LEITURAS
Irm Antônio do Carmo Ferreira


Estamos lembrados das notícias sobre a destruição que as enchentes deste ano causaram à economia e às pessoas na região da mata sul de Pernambuco. Como também é de recordar a evidência da menina Rivânia, aparecendo numa canoa velha atravessando o rio de águas barrentas, trazendo ao colo uma mochila cheia de livros. Uma crença daquela menina em seu futuro a partir do amor aos livros e da aprendizagem que a leitura dos mesmos proporciona.
Aquelas enchentes, pelo quadro que deixaram, pareciam levar as pessoas às cantigas do fim de carnaval, já na madrugada da quarta feira, “é de fazer chorar” ...
Mas, agora, quero me referir  ao esforço que fazem o governo e a comunidade para o restabelecimento  da paisagem  de normalidade e de bem estar em que anteriormente conviviam as pessoas da região. A mídia impressa, em sua função, tem cuidado de revelar esse grande e inesquecível empenho.
Faz alguns dias, o  ministro da educação, Senhor Mendonça Filho, visitou as cidades atingidas e anunciou a liberação de vultosa quantia, destinada, principalmente, às atividades de reconstrução das escolas com destaque para as suas  bibliotecas. Um gesto de governo que merece ser realçado.
Ele mesmo, o Ministro, veio à região para anunciar o interesse do Ministério, cuja administração lhe foi confiada, para que as pessoas se ilustrem através da leitura, viajando o mundo inteiro e conhecendo os maiores pensadores da humanidade graças a esse veículo de inigualável valor chamado livro, a que o gênio da poesia brasileira – Antônio de Castro Alves – denominou de “audaz guerreiro”.
Seguindo esse esforço, várias instituições culturais do Estado de Pernambuco, nesse tempo,  têm dedicado boa parte de sua atuação em favor da reconstituição das bibliotecas que foram destruídas pelas enchentes. Exemplo disto é a campanha desenvolvida pela Academia Pernambucana de Letras, coletando milhares e milhares de livros com essa destinação. Iniciativa vitoriosa diante da quantidade de obras que lhe foram enviadas, oriundas da comunidade e inúmeras da autoria de seus imortais.
Desejo, nessa trilha de boa vontade, oferecer uma pequena sugestão aos dirigentes dos municípios beneficiados. Que se criem, por iniciativa das Prefeituras, corpos de voluntários, que, presentes nas bibliotecas e ou nas escolas, despertem as pessoas para o hábito da leitura, especialmente a garotada estudantil. Que se estabeleça uma premiação por quantidade de livros lidos com um resumo do que tratava a obra. Coisas assim e ou outras que a inteligência dos administradores municipais ensejar.
Pois de nada valerão esses gestos de reconstrução e reconstituição das bibliotecas da região atingidas pelas enchentes (ou mesmo de outros lugares) se elas servirem apenas de depósito de livros, inclusive porque, se isto acontece, está aí uma desobediência à orientação evangélica, quando fala dos talentos, de que “não se devem colocar os mesmos nas botijas”. Elogiados foram aqueles que os movimentaram.
Quanto às enchentes, elas têm é que ser domesticadas, tornando-se úteis ao invés de agressivas. A solução para isto pode até já estar posta. Quem sabe, bastando persistir tratando-se  de livros e leituras?
 



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