quinta-feira, 24 de junho de 2010

INFORMABIM 264 A e B

EXEMPLO DIGNIFICANTE

                              Irm Antônio do Carmo Ferreira.

       Maçons do quadro de obreiros da Loja PLANETA VIDA e familiares seus estiveram reunidos, ontem à noite, não só para a CEIA que já se tornou tradicional, para eles. Mas também para discussão de assuntos relacionados com o meio-ambiente e o melhor cuidado para com o mesmo. A Loja Maçônica “Planeta Vida”, como seu nome distintivo inspira, tem forte vinculação com estes temas de respeito à natureza e à sua conservação.
       Lembra-se que a Constituição do GOIPE, em seu artigo 31,inciso III, registra que é dever de uma Loja: "Dedicar-se ordinariamente à concretização de objetivos maçônicos, destacando-se entre estes a defesa [...] da ecologia ..." Aliás, o escritor E. F. Schumacher, autor do livro “O negócio é ser pequeno” (Small is beautiful, Zahar Editores, 1981, pág 88), é enfático e brilhante ao registrar que “Estude-se como uma sociedade usa sua terra e pode-se chegar a conclusões bastante fidedignas sobre qual será seu futuro”.
       Neste sentido, queremos elogiar os estudantes que, recentemente, estiveram no trabalho de retirada de lixo de um manguezal, em Olinda. O Jornal do Commercio, em sua edição de 14 de maio de 2010, registra o fato: "Mais de 100 quilos de lixo foram retirados do manguezal da área Espaço Ciência, no Complexo Salgadinho, em Olinda, Grande Recife, na manhã de ontem. A Limpeza foi realizada por 120 estudantes e foi uma das ações da campanha nacional UM DIA DE ESPERANÇA PARA O PLANETA, promovida pelo Sistema Adventista de Educação. A mobilização reuniu mais de 230 mil alunos no Brasil e mais de oito países da América do Sul."
       Outro dia, assistindo a jornal apresentado por uma das emissoras brasileiras de TV, fiquei estarrecido com as imagens exibidas que documentavam a reportagem. As águas pluviais inundando as ruas que mais pareciam rios do nordeste: secos ao verão, caudalosos à época hibernal. Montões de lixo residencial arrastados pela correnteza, entupindo os bueiros, impedindo o escoamento, e, em seguida, boiando feitos canoas, voltando para as casas de onde vieram, como que por vingança, procurando seus desleixados e irresponsáveis produtores.
       Vinham-me à mente passagens de a Perestroika, de Mikhail Gorbachev (Editora Best Seller, 1990, pág 11), onde ele fazia apelo, para que coisas piores do que as descritas não chegassem a acontecer: “Estamos no mesmo barco, a Terra, e não podemos permitir que afunde. Não haverá uma segunda Arca de Noé”.
       A Maçonaria está atenta a este movimento de respeito à natureza. Sempre esteve, e, agora, com muito mais razão, diante da ausência de zelo com que o homem, em nossos dias, tem sido flagrado, em seu relacionamento com o próprio habitat. Talvez por isto, a filosofia de Ortega y Gasset, ao se tornar tão atual, tenha inspirado a advertência: "Se eu não salvo a circunstância, também não me salvo a mim mesmo."
       O gesto desses 120 estudantes, retirando entulhos do manguezal, é um exemplo a ter sequência por ser demais dignificante.

domingo, 6 de junho de 2010

INFORMABIM 263 A e B

SUSTANDO O DIVÓRCIO ENTRE O LIVRO E A ESCOLA

Irm Antônio do Carmo Ferreira


O diário oficial da União, em sua edição de 24 de maio de 2010, traz uma notícia excelente para a educação no Brasil. Nela, está publicada lei que obriga a existência de biblioteca em todas as escolas do País. Projeto vitorioso do deputado Lobbe Neto, do PSDB de São Paulo, que foi sancionado em Lei nº 12.244.

Mas tal exigência faz sentido num Brasil de 510 anos de descobrimento? Até nos toma de surpresa, porque, mesmo sem expressar, o novo dispositivo legal carrega embutida a denúncia de que há negligência neste setor. Pois ao que se percebe está havendo divórcio entre a unidade de ensino e o livro, quando é sabido que uma escola só obtém autorização para instalar-se, constatada a existência de uma biblioteca no ambiente em que funciona..

Porém tal não vem acontecendo. O Censo Escolar de 2009 revela que os órgãos fiscalizadores dormiram no ponto. Das “152.251 escolas de ensino fundamental, no País, somente 52.335 têm biblioteca”, apuraram os pesquisadores. O ensino médio padece da mesma escassez, dado que metade de suas escolas, de um total de 25.923, não possui biblioteca. Quer dizer: não têm biblioteca nem espaço para leitura. E não é só o setor privado que é negligente, porquanto “só 28,2% das escolas públicas do País contam com biblioteca”. O gestor público ignora que “Uma nação se faz com homens e livros” (M Lobato).

Ressalte-se que O Ministério da Educação mantém, em suas atividades, o Programa Nacional de Biblioteca da Escola que envia livros, apoiando, por este intermédio, o sistema de ensino público, o qual, segundo se divulga, recebeu, no período 2005/2010, cerca de “43 milhões de livros de literatura infantil e infanto-juvenil”. Em que planeta eles se escondem?

Então a Lei federal nº 12.244/2010 vem numa boa hora, especialmente porque se encontra em curso no Congresso Nacional o Plano Decenal de Educação (2011 a 2020). Ela determina que em dez anos (até 2020) cada escola do governo ou privada deverá ter uma biblioteca com um acervo mínimo de livros, de pelo menos um título por aluno matriculado. Também que haja local próprio à leitura e pessoas capacitadas profissionalmente para sua coordenação.

Muito nos deve animar este último item: do espaço e do fomentador. Conquanto não basta a existência da biblioteca. É preciso que o gesto não se limite à formação de um depósito de livros. Por isto ser indispensável a presença do fomentador da leitura. Do profissional dedicado e inventivo que estimule o hábito da leitura, até, se necessário for, para romper a inércia, com brindes e premiação aos que servirem de exemplo.

Contudo fiquei com uma nesga de tristeza, diante do prazo que a Lei estabelece, para o seu total cumprimento: dez anos. Convenhamos que é um prazo muito dilatado. É um longo prazo. “E a longo prazo, ensinava J M Keynes, todos nós estaremos mortos”. Para sermos menos drásticos, o prazo de dez anos pode gerar frustração, própria dos que esperam um Brasil culto e próspero de imediato.

Para que isto não aconteça, que tal a Maçonaria ingressar neste projeto? Mediante convênio, ir instalando bibliotecas em escolas do setor privado? E nesse processo, recorrendo a nomes de grande valor maçônico, para as denominações, como Biblioteca Arruda da Câmara, Monsenhor Muniz Tavares, Padre João Ribeiro, Frei Caneca, Cônego Januário Barbosa, Gonçalves Ledo, Hipólito José da Costa, Padre Roma, Cônego das Mercês, José Castelani, Xico Trolha, Teobaldo Varoli Filho, Nicola Aslan, Lysis Brandão da Rocha, Fernando Salles Paschoal, Octacilio Schuler Sobrinho, Osvaldo Ortega, Rizardo da Camino, Ambrosio Peters e tantos outros nomes célebres da literatura maçônica brasileira ou que, integrantes da Ordem, tiveram uma vida dedicada ao amor ao próximo ? Este projeto serviria, inclusive, para o marketing da Ordem, confirmando também, por este intermédio, que ela, realmente, veio para combater a ignorância!

No mais, dar-se-ia um freio nesse divórcio, cuja existência se constata, entre a escola e o livro. Urge mesmo que todos nós nos envolvamos com isto. Quem sabe não é o Grande Arquiteto do Universo, colocando esta luz em nosso caminho ... ? Dando-nos esta oportunidade de “tornar feliz a humanidade” ? Que o poeta maçom confirme este enten-dimento: “O livro, caindo n´alma, é gérmen que faz a palma. É chuva que faz o mar”.